A resposta curta, agosto 2026: 130 a 180 € por ano é a ordem honesta para um kit de peitoril ~800 W em Lisboa a sul com teletrabalho — não os 300 € «garantidos» da montra. A conta é simples: kWh reais × percentagem consumida de dia × euros por kWh da sua fatura (banda ~0,17–0,24 €, ERSE + redes + comercializador). Export residual a ~0,03–0,07 €/kWh quase não manda. O CAPEX all-in fica na página quanto custa painel solar varanda; aqui só o denominador da poupança.
- Fórmula: €/ano ≈ produção anual × % autoconsumo × €/kWh da fatura (+ export residual, se existir).
- Perfil manda mais que a marca: o mesmo pack dá ~144 €/ano com teletrabalho e ~72 € com casa vazia às 11–17 h.
- Isenção DGEG ≤800 W AC ZE (desde 28.08.2026) (DL 130/2026; até 27.08 o teto era 700 W) não aumenta kWh — só evita papel e técnico de MCP.
- Tarifa: leia energia + redes na fatura; não use OMIE grossista no sítio do preço final. Estrutura em tarifa energia Portugal.
A fórmula que a montra esconde
O anúncio multiplica Wp × 1 500 h × 0,30 € e chama a isso «poupança». Em peitoril português a conta útil é outra: só o kWh que evita comprar à rede vale o preço da fatura. O kWh que sobra e não se consome, sem contrato de export, vale zero; com contrato, tipicamente 0,03–0,07 € — cerca de sete vezes menos que o kWh autoconsumido a 0,20 €.
Exemplo numérico com números de ordem (Lisboa, sul aberto, ~800 Wp, referência PVGIS ~1 222 kWh/ano sem sombra forte): 1 200 kWh × 60% auto × 0,20 € = 144 €/ano. O mesmo pack com 30% auto (casa vazia de dia) dá 72 €. Ajuste o €/ano multiplicando por (seu €/kWh ÷ 0,20). A produção real de peitoril quase vertical ou com prédio em frente fica abaixo do PVGIS de telhado — o gradeamento a ~90° corta tipicamente cerca de 29% face ao tilt ótimo ~33–38°.
Não some o total da fatura (potência contratada + taxas) e chame isso de €/kWh. Some a linha de energia ativa e a de redes por kWh; a potência contratada é fixa e o kit de varanda não a anula. Preço médio agregado BTN regulado 2026 da ordem de ~0,198 €/kWh (ERSE, Diretiva n.º 1/2026) é âncora de mercado — a sua fatura manda no Excel.
Tabela de poupança por perfil (2026)
Os intervalos abaixo assumem €/kWh de referência 0,20 e pack ~800 W (dois módulos + micro). Não são garantia de montra: são linhas para escolher a sua e ajustar. Payback só faz sentido com CAPEX all-in da página de custos, não com o sticker 580 €.
| Perfil no peitoril | kWh/ano ordem (~800) | % auto | €/ano @0,20 |
|---|---|---|---|
| Sul + teletrabalho 11–16 h | 1 100–1 300 | 55–65 | 130–180 |
| Sul + casa vazia 9–18 h | 1 100–1 300 | 25–35 | 70–100 |
| Vertical ou este/oeste | 800–1 050 | 50–60 | 95–125 |
| Sombra forte de prédio | 500–800 | ~50 | 50–80 |
| Um módulo 400–450 Wp | 550–650 | ~55 | 60–80 |
| + bateria 2 kWh (perfil vazio dia) | igual produção | 75–85 | 200–280 |
Metodologia: produção de ordem PVGIS @800 Wp sul aberto (Lisboa ~1 222, Porto ~1 153, Faro ~1 300+ kWh/ano) descontada de vertical/sombra; % auto de hábitos diurnos; € = kWh × % × 0,20. Ajuste pelo seu €/kWh. Linha de bateria assume CAPEX extra ~750–1 050 € — ver painel solar com bateria.
No Reddit, contas de peitoril realistas batem na mesma ordem de grandeza: quem modela 640 Wp a ~1 300 € com 600–800 kWh/ano e consumo residual diurno chega a dezenas de euros por ano, não a 300. A montra de 20–25 €/mês só fecha se o perfil for teletrabalho + sol limpo + tarifa alta — e ainda assim o teto honesto fica perto de 180 €/ano no peitoril 800.
“Fiz as contas, e no array 640 watts que custa 1300 euros, faz 600 kWh ano. Ou seja vais poupar 60 euros por ano. Payback de 20+ anos …”
Autoconsumo vs venda de excedente
Cada kWh que o frigorífico, o router e o termocumulador comem enquanto o sol bate evita o preço de compra. Cada kWh que sobra e se vende à rede entra a uma fração. Em 2026, na prática de comercializadores e relatos de campo, a remuneração de excedente costuma oscilar ~0,03–0,07 €/kWh (contratos fixos baixos; indexados podem média mais alta nalguns meses, mas não são o preço de compra).
| Destino do kWh | €/kWh ordem | Peso no Excel |
|---|---|---|
| Autoconsumo (evita compra) | 0,17–0,24 | Motor do ROI |
| Export com contrato | 0,03–0,07 | Residual |
| OMIE (mercado grossista) | 0,06–0,15 | Só contexto — não é a fatura |
Deslocar a máquina de lavar e o termocumulador para 11–15 h costuma valer mais do que «vender à rede». Com zero exportação no limiar DGEG (≤700 W AC até 27.08.2026; ≤800 W AC desde 28.08.2026, com ZE) o Excel ignora export de propósito — e isso é correto: a isenção evita MCP (técnico tipicamente 150–300 €), não multiplica kWh. Detalhe de contratos em venda excedente energia.
Regra prática: se a app do micro mostra export diário e a casa está vazia, o problema não é a marca do módulo — é o perfil. Timers e tomadas inteligentes são o upgrade barato antes de qualquer bateria.
Teletrabalho, casa vazia, vertical e sombra
Três peitoris com o mesmo sticker dão três Excel diferentes. Teletrabalho com cargas diurnas: 1 200 kWh × 60% × 0,20 = 144 €/ano. Casa vazia 9–18 h: metade ou menos. Vertical no gradeamento: produção relativa ~0,70–0,75 do sul com tilt favorável; este/oeste tipicamente perde 15–22% face ao sul. Sombra de prédio ou toldo pode roubar 20–50% dos kWh anuais — pior no inverno com sol baixo.
Antes de cravar a linha da tabela, faça três dias secos com fotos às 10, 13 e 16 h. Se o peitoril só tem sol pleno menos de duas horas, o pack 800 não se transforma em 180 €/ano por magia de marketing. Fóruns portugueses são claros na dúvida de eficiência em varanda — não porque o painel seja «mau», mas porque o sítio raramente é um telhado a 35° sem sombra.
“A eficiência dos painéis solares colocados numa varanda é extremamente baixa. É engraçado para projetos DIY, como lâmpadas, sensores e assim. Se a tua intenção é carregar um carro elétrico não é uma realidade próxima de viável.”
A crítica serve de teto de expectativa: peitoril offseta idle e parte do consumo diurno; não substitui um UPAC de telhado nem carrega um VE. Quem procura só «offset do standby» (frigorífico, Wi-Fi, IoT) encontra o caso de uso em que o kit pequeno faz sentido — desde que o sol bata de facto no gradeamento.
Bi-horária, sazonalidade e bateria
Na tarifa bi-horária o sol cai no bloco fora de vazio (mais caro). Cada kWh autoconsumido de dia vale o preço alto da fatura, não a média do mês. Tarifa plana: um só €/kWh. Indexada: use a média de 6–12 meses da sua fatura, não o pico de um dia de OMIE. O preço médio BTN 2026 da ERSE (~0,198 €/kWh) é âncora; a sua comercializadora pode estar acima ou abaixo.
Agosto não é o ano. Um peitoril bom pode fazer 5–6 kWh num dia de julho e 1–2 kWh em janeiro. Modelar só o verão optimiza o payback de forma desonesta. No inverno com vertical a bateria grande raramente enche — argumento contra oversize de storage no peitoril português.
Sem storage, o sol do meio-dia ou se consome ou se perde (ou exporta barato). Com 1,6–2,5 kWh LiFePO4 o autoconsumo pode ir a 75–85% se há jantar elétrico — CAPEX extra tipicamente 750–1 050 € em retalho PT com IVA 23%. Se a app ciclar menos de 0,5 kWh/dia no mês 1, a bateria é prateleira cara. Em literacia financeira a leitura dominante é cautelosa: baterias a preço atual rebentam a rentabilidade de sistemas pequenos. Use storage só se o perfil noturno o justificar com medição, não porque o carrinho da loja o sugere.
Calculadora em quatro passos
- Estime kWh/ano: sul 1 100–1 300 @~800 Wp; vertical ×0,70–0,75; este/oeste ×0,80–0,85; sombra forte −30–50%.
- Estime % auto: presença ao sol 55–65; vazio 25–35; bateria útil 75–85. Meça sete dias reais antes de cravar.
- Leia €/kWh na fatura (energia + redes), não o total da conta.
- €/ano = produto; payback = CAPEX_all_in ÷ €/ano. A app do micro e o contador da casa mentem menos que o PDF da loja.
Checklist e erros que destroem o Excel
Antes de aceitar qualquer «300 €/ano», feche esta lista. Depois compare com o pack real em kit painel solar varanda — potência AC, ZE e estrutura mudam o denominador tanto quanto o sol.
- €/kWh real na fatura (energia + redes), não o total da conta nem OMIE.
- Fotos de sombra às 10, 13 e 16 h durante três dias secos.
- Quem está em casa entre 11 e 17 h? Sem resposta, não use a linha de 180 €.
- kWh da app no mês 1 cruzados com a fatura (não só o pico de um sábado de sol).
- CAPEX all-in: estrutura, frete, MCP se houver — não só o sticker.
- Export residual a 0,03–0,07, nunca a 0,24 inventado.
- Proibir no Excel: IVA 6% em kits P&P (acabou em meados de 2025 para este canal), 90% auto em casa vazia, Agosto = ano, telhado 5 kW na mesma linha que peitoril 800 W.
Erros clássicos: assumir 90% de autoconsumo no apartamento vazio de dia; usar 0,10 € (ordem OMIE) como kWh evitado; ignorar vertical e sombra; payback com sticker sem fixação nem eventual MCP; contar export a preço de compra. A isenção DGEG com ZE não é um bónus de produção — é um tecto de burocracia. MCP (SERUP) acima do limiar ou com injeção acrescenta tempo e, na prática de mercado, 150–300 € de técnico aos mesmos kWh.
- Produção anual real do peitoril (não o PDF da montra).
- Percentagem de autoconsumo diurno medida ou estimada com honestidade.
- Preço de compra na fatura (energia + redes), não OMIE.
Nota da editora
Elena Moretti: a montra vende payback; o peitoril entrega perfil. Meça uma semana de hábitos e uma fatura real antes de cravar 180 €/ano. Desde 28.08.2026 a isenção vigente é ≤800 W AC com zero injeção (DL 130/2026; até 27.08 o teto era 700 W) e não aumenta a poupança — só evita pagar papel e o técnico de MCP.
Se o Excel só fecha com 90% auto e export a preço de compra, o problema não é o microinversor: é a hipótese. Traga a sua fatura e três dias de fotos de sombra; o resto é aritmética. Neste mercado PT não usamos Amazon afiliado — as contas fecham (ou não) com números da fatura e da app, não com o carrinho da loja.
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