Pagar mais de 150 euros por ano na fatura da luz apenas por inércia é uma realidade para milhares de portugueses. A diferença entre a tarifa regulada e a oferta mais competitiva do mercado livre, como a da Endesa, atingiu um ponto em que a mudança deixou de ser uma opção para passar a ser uma necessidade financeira. O mais surpreendente? O processo é totalmente gratuito, não implica qualquer corte de energia e, na maioria dos casos, está concluído em menos de três dias úteis. A única coisa que muda é a entidade que lhe envia a fatura e o valor final a pagar.
O medo de um processo burocrático ou a simples falta de tempo são as razões mais comuns para não mudar. Contudo, o mercado foi desenhado para ser exatamente o oposto: simples e rápido. A E-REDES, que detém e gere a infraestrutura física, continua a ser a mesma, garantindo que a qualidade e continuidade do fornecimento não são afetadas. A mudança é puramente comercial, um ajuste de contrato que se reflete diretamente na sua carteira ao final do mês.
A poupança real: Desmontar os números de 2025
Falar em "poupança" pode soar vago. Vamos a números concretos. Para uma família média com um consumo anual de 3.500 kWh e uma potência contratada de 6,9 kVA, a diferença entre permanecer no mercado regulado e aderir à tarifa mais barata do mercado livre é de precisamente 157,05 euros por ano, já com todas as taxas e impostos incluídos. Isto representa uma redução de quase 14% na fatura anual. É o equivalente a uma mensalidade gratuita todos os anos.
A maior parte desta poupança vem do preço do kWh, a unidade que mede a energia que efetivamente consome. Enquanto no mercado regulado este valor se fixa em cerca de 0,1658€ (antes de impostos), as ofertas mais agressivas do mercado livre descem até aos 0,1297€. A isto somam-se as Tarifas de Acesso às Redes (TAR), que são definidas pelo regulador (ERSE) e são iguais para todos, mas o preço da energia é onde a competição acontece. A tabela abaixo ilustra as diferenças de forma clara.
| Fornecedor | Tarifa | Preço Energia (/kWh) | Custo Anual Total (com taxas) | Poupança vs. Regulado |
|---|---|---|---|---|
| Endesa | Tarifa Digital Luz | 0,1297 € | 969,29 € | 157,06 € |
| Iberdrola | Mais Casa | 0,1357 € | 990,29 € | 136,06 € |
| EDP Comercial | DD+FE | 0,1340 € | 984,35 € | 141,00 € |
| Plenitude | Fácil Luz | 0,1425 € | 1.024,10 € | 102,25 € |
| Mercado Regulado | Tarifa de Referência | 0,1658 € | 1.126,35 € | N/A |
*Cálculos para um consumo de 3.500 kWh/ano e potência de 6,9 kVA, valores de novembro de 2025.
Mudar é grátis e demora 3 dias. Onde está o truque?
A promessa de um processo simples, rápido e gratuito soa demasiado boa para ser verdade, o que leva muitos a questionar: qual é a armadilha? A resposta honesta é que, para a maioria dos consumidores domésticos, não há nenhuma. A mudança é incentivada pelo regulador para promover a concorrência. Não há custos de cancelamento com o seu antigo fornecedor (a não ser que tenha um contrato com fidelização ativa) nem taxas de adesão ao novo.
A única situação que exige atenção é a existência de um período de fidelização no seu contrato atual. Estes períodos são comuns quando a adesão a um tarifário inclui a oferta de serviços extra (como manutenção de equipamentos) ou descontos significativos. A lei limita esta fidelização a um máximo de 12 meses para clientes domésticos. Se cancelar antes do fim, poderá ter de pagar uma penalização. O que deve fazer? Simples: pegue na sua fatura, verifique se existe fidelização e qual a penalização. Depois, calcule se a poupança anual de mais de 150€ compensa o pagamento dessa taxa. Em muitos casos, a resposta é sim, com o "investimento" a ser recuperado em poucos meses.
A verdade sobre as tarifas "100% verdes"
Muitos fornecedores, como a Iberdrola, promovem as suas tarifas como sendo de "energia 100% renovável". Isto é tecnicamente verdade, mas é importante perceber o que significa. Não quer dizer que o eletrão que chega à sua tomada foi gerado por um painel solar ou uma turbina eólica. A rede elétrica é uma mistura de todas as fontes de produção. O que estes fornecedores fazem é comprar "Garantias de Origem" (GOs), certificados eletrónicos que provam que, algures no sistema, uma quantidade de energia equivalente ao seu consumo foi produzida a partir de fontes renováveis.
É um mecanismo de mercado importante para financiar a produção de energia limpa, mas não altera a qualidade da eletricidade que recebe. Ao escolher uma tarifa "verde", está a votar com a sua carteira, sinalizando ao mercado que valoriza a sustentabilidade. A boa notícia é que, como a tabela mostra, as opções mais baratas do mercado, como a da Endesa (com 99% de energia de fontes renováveis certificadas), já combinam poupança económica com responsabilidade ambiental. Não precisa de pagar mais para ser "verde".
Como fazer a escolha certa para a sua casa (Passo a Passo)
Decidiu mudar. Excelente. O processo é mais simples do que imagina e resume-se a três passos fundamentais. Não precisa sequer de contactar o seu fornecedor atual para cancelar o serviço; o novo comercializador trata de tudo.
Primeiro, analise a sua fatura atual. Precisa de três informações essenciais: o seu nome completo, NIF e, o mais importante, o CUI (Código Universal da Instalação). Este código é como o NIF da sua casa, identificando o seu ponto de entrega de energia. Vai precisar dele para o novo contrato. Aproveite para ver o seu consumo médio anual em kWh para poder simular com precisão.
Segundo, use um comparador. A própria ERSE disponibiliza um simulador oficial no seu site, que é isento e fiável. Compare as ofertas com base no seu perfil de consumo. Não olhe apenas para o preço do kWh; verifique se existem descontos na potência contratada e se a tarifa é simples ou bi-horária, adequando-a ao seu estilo de vida.
Por fim, contacte o novo fornecedor. Com os seus dados e o CUI em mãos, pode aderir online ou por telefone em poucos minutos. O novo comercializador irá então comunicar a mudança à E-REDES, e a transição ocorre tipicamente em 2 a 3 dias úteis. A sua primeira fatura do novo fornecedor chegará no ciclo de faturação seguinte.
O papel da ERSE: o seu escudo contra más práticas
A liberalização do mercado não significa uma selva sem lei. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) desempenha um papel fundamental na proteção dos consumidores. Através de regulamentos como o de Relações Comerciais (RRC) e o da Qualidade de Serviço (RQS), a ERSE obriga os comercializadores a serem transparentes nos preços, a cumprirem prazos de resposta a reclamações e a garantirem a privacidade dos seus dados.
Isto significa que, independentemente de escolher a EDP, a Endesa ou a Goldenergy, a qualidade do serviço técnico e a proteção dos seus direitos são supervisionadas. Relatórios anuais da ERSE e de entidades independentes monitorizam a performance dos fornecedores e do operador de rede (E-REDES), que tem mostrado melhorias contínuas na qualidade do serviço técnico. Mudar de fornecedor é uma decisão comercial segura, enquadrada por um forte aparelho regulatório que o protege de surpresas desagradáveis.
🚀 Pronto para o seu Sistema Solar de Varanda?
Calcule agora a rentabilidade para a sua localização – gratuito e em apenas 3 minutos!
Para o Cálculo →