Licenciamento DGEG 2025: O Guia para Painéis Solares

Instalou os painéis, mas a fatura não desce? O problema pode estar no licenciamento DGEG. Explicamos o processo passo a passo, os custos reais e as armadilhas a evitar para legalizar a sua instalação fotovoltaica.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

Instalou os painéis solares no telhado, o inversor pisca uma luz verde de produção, mas a sua fatura de eletricidade teima em não refletir a poupança prometida. O culpado? Muitas vezes, é um passo crucial esquecido ou mal executado no licenciamento junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). O que antes era um labirinto burocrático foi, felizmente, simplificado, mas ignorar as regras certas ainda pode custar-lhe tempo, dinheiro e até levar a coimas. Perceber este processo é a diferença entre produzir energia e, efetivamente, poupar com ela.

A verdade é que a maioria das instalações residenciais hoje em dia beneficia de um regime muito mais leve. A ideia de que precisa de uma "licença" complexa e cara é um mito para quase todas as famílias. O processo evoluiu para uma simples comunicação online. No entanto, essa simplicidade esconde detalhes importantes sobre quem pode instalar, que equipamento é permitido e como interagir com o seu fornecedor de energia. Vamos desmistificar isto.

O Mapa da DGEG: Qual a Burocracia Para o Seu Sistema?

A DGEG não trata todos os sistemas fotovoltaicos da mesma forma. O nível de burocracia depende diretamente da potência que vai instalar e, mais importante, se pretende ou não injetar o excedente de energia na rede elétrica pública (RESP). A legislação, nomeadamente o Decreto-Lei 15/2022, criou as Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC) e dividiu-as em categorias claras, cada uma com as suas próprias regras.

Para a grande maioria das moradias, o cenário é o da Mera Comunicação Prévia (MCP). Se a potência total dos seus painéis estiver entre 350 W e 30 kW – o que abrange praticamente todas as instalações domésticas típicas, como um sistema de 8 painéis com 3.6 kW de potência – o processo resume-se a um registo na plataforma online SERUP da DGEG. Não há taxas de licenciamento a pagar à DGEG neste escalão, o que é uma excelente notícia. O registo serve para que as autoridades tenham um mapa da produção de energia no país e para garantir que a instalação foi feita por um profissional qualificado.

Mas e os sistemas mais pequenos? Se instalar um kit "plug-and-play" com até 700 W de potência e garantir que não há injeção de energia na rede (usando um inversor com função "zero-injection"), está completamente isento de qualquer registo ou comunicação. É a via mais simples, mas limita bastante o seu potencial de produção. No outro extremo, para projetos comerciais ou industriais com mais de 30 kW, o processo já envolve registos mais complexos, inspeções e, aí sim, o pagamento de taxas consideráveis.

A Batalha do Papel: O Processo de Comunicação Prévia Passo a Passo

Vamos focar-nos no cenário mais comum: a sua casa precisa de uma Mera Comunicação Prévia. Parece simples, e é, mas a ordem dos fatores importa. O processo não começa consigo, mas sim com a escolha de um instalador. A lei é clara: instalações acima de 350 W só podem ser executadas por técnicos certificados inscritos na DGEG. Tentar fazer a instalação por conta própria ou com um "amigo que percebe de eletricidade" não só é perigoso como irá bloquear o processo de legalização, pois falta-lhe o documento mais importante.

Esse documento é o Termo de Responsabilidade, emitido pelo técnico no final da instalação. É a garantia de que tudo foi montado de acordo com as normas de segurança. Com este termo em mãos, o técnico (ou você, em coordenação com ele) acede à plataforma SERUP, preenche os dados da instalação – morada, potência, características do equipamento – e submete a comunicação. A partir desse momento, a DGEG comunica com o seu operador de rede (normalmente a E-REDES) para validar o ponto de ligação.

É aqui que, por vezes, a paciência é testada. Embora a comunicação à DGEG seja quase instantânea, a resposta e atualização por parte do operador de rede pode demorar algumas semanas. Este é o verdadeiro "engarrafamento" do processo. Só após esta validação é que o seu sistema está 100% legal e pronto a funcionar em pleno, especialmente se for vender excedente, o que obriga à instalação de um contador bidirecional pela E-REDES.

Quanto Custa Realmente Legalizar os Seus Painéis em 2025?

A pergunta sobre os custos é legítima, mas a resposta pode surpreender. Os custos diretos com a DGEG para uma família são, na maioria dos casos, zero. O que existe são custos indiretos e administrativos que devem ser considerados no seu orçamento. A recente subida do IVA sobre equipamentos solares de 6% para 23%, em vigor desde julho de 2025, teve um impacto muito maior no custo final do que qualquer taxa de licenciamento.

Vamos analisar os custos por patamar. Para uma instalação residencial típica (até 30 kW) em regime de autoconsumo, não paga qualquer taxa à DGEG pela comunicação prévia. O seu custo é o valor pago ao instalador certificado, que já inclui a emissão do Termo de Responsabilidade. Se, no entanto, a instalação for superior a 30 kW, aí já entram taxas que podem ir de algumas centenas a mais de mil euros, dependendo da potência.

A tabela abaixo resume a situação. É crucial notar que mesmo nos casos de isenção de taxa, o registo continua a ser obrigatório se houver injeção na rede.

Potência Instalada (UPAC) Procedimento DGEG Taxa DGEG (Aproximada) Instalador Certificado Cenário Típico
Até 700 W (sem injeção) Isento de controlo prévio 0 € Não obrigatório (DIY permitido) Kits de varanda "plug-and-play"
700 W a 30 kW Mera Comunicação Prévia (MCP) 0 € Obrigatório Moradias e pequenos negócios
30 kW a 1 MW Registo Prévio + Certificado de Exploração 200 € - 600 € Obrigatório PMEs, condomínios grandes
> 1 MW Licença de Produção e Exploração +1.000 € Obrigatório Grandes empresas e parques solares

Injetar ou Não Injetar na Rede? A Questão Crítica de 2025

Esta é talvez a decisão mais importante que vai tomar depois de escolher a potência do seu sistema. Vender o excesso de energia à rede parece uma ideia fantástica, mas a realidade em Portugal é desanimadora. Os valores pagos pelos comercializadores pela energia injetada são, francamente, irrisórios, rondando os 0,04 € a 0,06 € por kWh. Compare isto com os 0,22 € a 0,24 € que você paga para comprar essa mesma energia. A matemática é simples: não compensa.

Por causa disto, a esmagadora maioria das novas instalações opta por um de dois caminhos. O primeiro é o autoconsumo puro, dimensionando o sistema para cobrir apenas os seus consumos diurnos e aceitando que algum excedente se "perca". O segundo, e cada vez mais popular, é adicionar uma bateria. Apesar do custo inicial mais elevado (um sistema de baterias decente pode acrescentar 800€ a 1.500€ ao projeto), permite armazenar a energia produzida durante o dia para a consumir à noite. Isto maximiza a sua taxa de autoconsumo, que pode passar de 30-40% para uns impressionantes 70-90%, acelerando o retorno do investimento total.

A escolha afeta diretamente o licenciamento. Mesmo um sistema pequeno de 800 W, se injetar na rede, tem de ser registado na DGEG. A opção por "injeção zero", controlada pelo inversor e complementada por uma bateria, não só é mais rentável a longo prazo como simplifica a sua relação com o operador de rede, pois não necessita de um contador bidirecional ou de contratos de venda de energia.

O Que Mudou e o Que Esperar Para o Futuro?

A legislação tem evoluído para simplificar a vida ao pequeno produtor. O Decreto-Lei 99/2024 veio consolidar esta tendência, focando-se em desburocratizar e acelerar processos. Para si, enquanto consumidor, isto significa menos papelada e tempos de espera teoricamente mais curtos. No entanto, a realidade no terreno mostra que os operadores de rede continuam a ser o principal ponto de atraso.

Existem ainda situações específicas a ter em conta. Se vive num condomínio, a instalação em telhados comuns geralmente exige aprovação da assembleia de condóminos. Embora existam propostas para eliminar o poder de veto dos condomínios em 2025, por agora a regra mantém-se. Se é inquilino, precisa de uma autorização por escrito do proprietário do imóvel. Viver numa zona histórica também pode implicar restrições visuais e patrimoniais que devem ser consultadas junto da câmara municipal.

O caminho para a independência energética em Portugal está mais acessível do que nunca. O processo DGEG, que antes assustava, é hoje uma formalidade simples para a maioria. A chave é estar informado, contratar um profissional competente e, acima de tudo, fazer as contas para perceber se a melhor opção para si é autoconsumir, armazenar ou, contra a corrente, vender a sua preciosa energia a preço de saldo.

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Perguntas Frequentes

Quanto custa o licenciamento DGEG para instalações solares?

Para instalações até 700W não há custo de licenciamento. Para instalações entre 700W e 30 kW não há custos de licenciamento DGEG, apenas registo do produtor. Para instalações entre 30 kW e 1 MW, os custos incluem taxa de apreciação do registo, taxa de certificação e taxa de inspeção.

Qual é o procedimento passo a passo para licenciar uma instalação solar na DGEG?

O processo inclui: 1) Apresentação do certificado de conclusão da instalação; 2) Registo como instalação elétrica na plataforma DGEG (1-2 dias); 3) Processo de registo RPA (2-4 dias); 4) Pedido de contrato de autoconsumo à empresa elétrica (aproximadamente 1 mês); 5) Para potência superior a 30 kW, pedido de licença de produção.

Qual é a potência máxima permitida para autoconsumo sem licença?

Instalações até 1,5 kW não necessitam de licenciamento. Para potências entre 1,5 kW e 30 kW é exigido registo e comunicação prévia. Acima de 30 kW é necessário solicitar licença de produção.

Onde posso instalar painéis solares - telhado, fachada ou solo?

Os painéis solares podem ser instalados em telhados, terraços, fachadas ou no solo. Para instalações em zonas comuns de condomínios é necessária autorização, mas em varandas privadas não é obrigatório pedir aprovação ao condomínio.

Quanto tempo demora o processo de licenciamento completo?

O processo demora aproximadamente 1-2 meses antes do pedido de legalização (elaboração do relatório/projeto e licença de construção), seguido de 1 mês para contrato de autoconsumo e registo. No total, contar com 2-3 meses para conclusão completa.

Qual é o período de amortização de uma instalação solar?

O período de amortização típico é de 5-6 anos com economia entre 50-60% na conta de eletricidade. Com subsídios governamentais, pode reduzir-se para 3 anos. A vida útil mínima é de 25 anos.

Que subsídios existem para instalação de painéis solares em Portugal?

O Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis oferece comparticipação de até 85%, com limite de 2.500 euros para instalação de painéis solares. Existe também apoio para Comunidades de Energia Renovável com limite de 200.000 euros por unidade de produção.

Qual é a diferença entre autoconsumo e venda total à rede?

No autoconsumo, a energia é produzida e consumida no local da instalação, com possibilidade de vender excedentes. Na venda total, toda a energia é vendida à rede elétrica, permitido em Unidades de Pequena Produção (UPP) até 1 MW.

Como funciona a compensação de energia no autoconsumo?

Na modalidade de autoconsumo com ligação à rede, o excedente de energia produzida pode ser vendido à rede elétrica. O sistema de medição permite registar a energia injetada na rede e compensar a energia consumida.

Quais são os melhores modelos de painéis solares disponíveis?

Os painéis mais eficientes em 2025 são: Aiko Comet 2U (24,8%), Maxeon Maxeon 7 (24,1%), Longi Hi-MO X6 (23,2%), Huasun Himalaya (23,18%) e JA Solar DeepBlue 4.0 Pro (23%). Aiko Solar é apontada como líder em 2025 pela relação qualidade-preço.

Qual é a taxa DGEG cobrada mensalmente?

A taxa de exploração DGEG custa 0,07€ por mês mais IVA (total 0,0861€), totalizando cerca de 1,03€ por ano. Esta taxa é paga por todos os consumidores de eletricidade, exceto entidades estatais e serviços de utilidade pública.

Quanto custa 1 kWh de eletricidade em Portugal?

Em dezembro 2025, o preço médio é 0,1602€/kWh. A Endesa Digital tem o preço mais baixo em 0,1297€/kWh, enquanto SU eletricidade (mercado regulado) custa 0,1658€/kWh.

Quanto custa 1 kWh de eletricidade na EDP?

A EDP Comercial (DD+FE) em novembro 2025 custa 0,1340€/kWh, uma das tarifas mais baratas do mercado. A EDP reduziu em 6% o preço para clientes residenciais a partir de 1 de janeiro de 2025.

Qual é a empresa de energia mais barata em Portugal em 2025?

A Endesa é a mais barata com 0,1297€/kWh no plano Endesa Digital, seguida pela Iberdrola (0,1357€/kWh). Para o mercado regulado, SU Eletricidade custa 0,1658€/kWh.

Quanto custam os encargos iniciais para ligar eletricidade numa casa?

Os encargos iniciais para ligação de eletricidade rondam os 40€ para uma ligação monofásica em Baixa Tensão. Após pagamento, a E-Redes elabora um orçamento que pode ascender a cerca de 1.500€ para construção total.