A exposição da varanda manda mais kWh do que a marca do módulo: em Portugal continental, sul e sudoeste costumam ganhar; oeste/este perdem tipicamente ~15–22% face ao sul ótimo; norte pode ficar a ~50–60% da referência. Gradeamento quase vertical (~90°) corta ~29% face a tilt ótimo ~33–38°. Sombra de prédio, toldo ou peitoril pode roubar 20–50% dos kWh anuais — pior no inverno com sol baixo. Antes de comprar: teste de 3 dias de tempo seco (fotos 11h / 14h / 17h). Referência PVGIS @800 Wp sul aberto: Lisboa ~1.222, Porto ~1.153, Faro ~1.300+ kWh/ano (ordem; perdas de sistema e sombra à parte). Cada kWh autoconsumido evita ~0,17–0,24 € na fatura (ordem mid-2026).
- Janela útil: 11h–17h para autoconsumo diurno.
- ≥4 h sol pleno: avançar; 2–4 h: descontar ~20% e preferir micro por módulo; <2 h: não comprar.
- Microinversor: isola sombra parcial; não cria sol onde não há.
- DIFF: site assessment de varanda ≠ preço de kit ≠ só «virado a sul» no anúncio.
Orientação na prática (ponto de partida, não o fim)
Azimute 0° = sul geográfico como referência 100% de produção anual relativa (simulações tipo PVGIS para o continente). Desvios típicos:
| Orientação | Rendimento relativo (ordem) | Nota prática |
|---|---|---|
| Sul (0°) | 100% | Referência anual |
| SE / SO (±30°) | ~95–97% | Excelente na maior parte dos casos |
| Este / Oeste (±90°) | ~78–85% | Perda 15–22%; útil se o consumo for manhã/tarde |
| NE / NO (±135°) | ~60–70% | Só com expectativa baixa de kWh |
| Norte (180°) | ~50–60% | Desaconselhado para payback sério |
Percentagens relativas a sul com tilt favorável; não incluem sombra de prédio nem montagem 90°. Detalhe este/oeste: orientação este–oeste.
Use a bússola do telemóvel: anúncios de imobiliária dizem «sul» quando a grade é sudoeste ou sudeste. O mapa de insolção anual compara regiões; esta página decide se a sua varanda merece kit.
Toldo aberto na janela 11h–17h pode cortar >50% nas horas úteis. Peitoril: eleve a fixação. Árvore de verão ≠ árvore de inverno.
Inclinação: tilt ótimo vs quase vertical
Tilt anual ótimo em Portugal continental anda ~33° (Faro) a ~38° (Porto); Lisboa ~34°. No gradeamento a fixação é muitas vezes ~90° (segurança, condomínio, vento). Ordem de rendimento face ao tilt ótimo:
| Inclinação | Rendimento relativo | Perda face ao ótimo |
|---|---|---|
| ~34° (referência) | 100% | — |
| ~60° (suporte inclinado) | ~91% | ~9% |
| ~90° (vertical no grade) | ~71% | ~29% |
Vertical perde mais no verão (sol alto) e comporta-se relativamente melhor no inverno (sol baixo). Continua viável com fachada limpa a sul/sudoeste; deixa de ser se somar norte + sombra de prédio + 90°.
Fontes de sombra na varanda portuguesa
| Fonte | Severidade | Nota sazonal |
|---|---|---|
| Prédio vizinho | Alta no inverno | Sol baixo = sombra longa; julho engana |
| Toldo / pérgola | Muito alta quando aberto | Fecha na janela 11h–17h se quiser kWh |
| Árvore | Média–alta | Pior com folhagem de verão |
| Peitoril / muro | Baixa–média | Elevar fixação ou recuar módulo |
Fact-check de mercado: perdas anuais de 20–40% por sombreamento em varanda são compatíveis com a literatura de campo; sombra pesada pode ir a ~50%. 10% de área sombreada ≠ 10% de perda elétrica num string: o módulo fraco puxa a série. Ampliação: sombreamento em painéis.
“E não te esqueças que isso só te vai produzir com sol. Em dias de chuva/nuvens não esperes grande coisa. Vais consumir sempre da rede.”
Microinversor vs string sob sombra parcial
Com microinversor (ou micro por módulo), a sombra num painel não arrasta o outro: cada MPPT trabalha sozinho. Com string, 50% de sombra num módulo pode derrubar 30–50% de todo o ramo. Ordem ilustrativa @800 Wp Lisboa sul limpo ~1.222 kWh/ano: sombra de tarde num só módulo pode cair para ~850–950 kWh em string vs ~1.050–1.150 kWh com micro (cenários de simulação de campo, não garantia). Estudos tipo NREL apontam +4–12% anual de micro face a string em sombra ligeira a pesada — recupera parte da energia perdida, não a totalidade. Se ambos os módulos estão à sombra, nenhuma electrónica inventa irradiância. Na prática de varanda portuguesa (2 módulos no gradeamento), a sombra de tarde num só painel é o cenário mais comum de prédio vizinho — é aí que o micro se paga; sombra total de toldo fixo não.
- Barras = rendimento relativo de azimute (ordem de simulação), não kWh absolutos da sua rua.
- Some depois tilt 90° e sombra de prédio — multiplica, não soma em marketing.
Teste prático de 3 dias (protocolo)
- Três dias de céu limpo — nublado não conta.
- Fotos do sítio do módulo às 11h, 14h e 17h (alternativa útil: 9h / 12h / 15h).
- Bússola do telemóvel no azimute real da grade.
- No 3.º dia, marque com fita a zona com ≥4 h de sol pleno.
- Repita 1 dia no inverno se o teste for em julho: sol baixo muda o mapa de sombra.
| Resultado do teste | Decisão |
|---|---|
| ≥4 h sol pleno 11h–17h | Boa exposição — avançar |
| 2–4 h com sombra parcial | Descontar ~20% yield; micro por módulo |
| <2 h ou toldo fixo opaco | Não comprar / mudar parede |
Nota da editora (Elena Moretti):
O erro caro não é comprar mono em vez de TOPCon — é confiar no PVGIS de Lisboa sul enquanto o peitoril come a fila de células às 15h de novembro. Três dias de fotos batem qualquer datasheet. Se o teste falhar, o kit mais barato do retalho continua caro.
Exposição vs economia (não vs marketing)
Yield de referência @800 Wp sul aberto (ordem PVGIS / rede, mid-2026): Lisboa ~1.222, Porto ~1.153, Faro ~1.300+ kWh/ano. PVGIS aplica por defeito ~14% de perdas de sistema e não inclui sujidade (~2–5% extra se quiser realismo). Montagem 90° + sombra urbana baixam o número — por isso há fontes a falar de ~900–1.100 kWh no Algarve «de apartamento» vs ~1.300 de céu aberto: são cenários diferentes, não um único postal.
Rejeitar: promessas de ~1.600 kWh/ano com 800 Wp fixo em Portugal (~2.000 kWh/kWp) — acima do teto físico razoável do continente.
Cada kWh autoconsumido evita ~0,17–0,24 € na fatura (ordem residencial mid-2026; componentes regulados sob ERSE / Diretiva n.º 1/2026). Uma perda de ~30% sobre 1.222 kWh ≈ 367 kWh ≈ 80–90 €/ano de poupança perdida a ~0,22 €/kWh. Export (~0,034–0,07 €) não compensa má exposição. Exemplo de ordem: kit 800 Wp a sul limpo ~1.222 kWh/ano × 60% autoconsumo diurno × 0,20 €/kWh ≈ 147 €/ano evitados; com 30% de perda de sombra e o mesmo autoconsumo caem ~44 €/ano. Em cinco anos são ~220 € — perto de um terço de um pack de entrada. O teste de 3 dias custa zero euros e evita esse buraco. Mais números de produção: rendimento do painel; zoom Algarve: zona sul.
Inverno vs verão: o mesmo azimute, outro horizonte
Em julho o sol passa alto e a sombra do prédio vizinho recua para a base do edifício. Em dezembro o mesmo prédio projecta uma sombra longa às 14h–15h. Por isso o protocolo pede pelo menos um dia de teste no inverno se a primeira ronda foi estival. Não basta «a varanda é a sul»: a sul com horizonte bloqueado às 15h de janeiro é uma varanda de meio-dia, não de janela 11h–17h. Anote também a latência da manhã — névoa costeira ou vale pode atrasar o primeiro sol útil até às 11h mesmo com azimute correcto.
Regra de bolso: se em janeiro tiver <2 h de sol pleno na grade, trate o yield anual de Lisboa ~1.222 kWh/ano como tecto teórico e multiplique por 0,5–0,7 antes de qualquer payback. Melhor do que descobrir em fevereiro que o pack de 700 € produz metade do flyer.
Checklist de exposição (imprimir mentalmente)
- Azimute real (bússola) — não o do anúncio.
- Três dias de fotos 11h/14h/17h + um dia de inverno se o teste for estival.
- Toldo: aberto ou fechado na janela útil?
- Peitoril: sombra na fila inferior?
- Tilt real (90° vs suporte) — descontar ~29% se vertical vs ótimo.
- Micro por módulo se sombra parcial for inevitável.
- Só depois comparar packs e Wp de catálogo.
Se o sol útil não existir no gradeamento, nenhum kit «800 W» reescreve a geometria do prédio.
Toldo, peitoril e árvore: o que o teste deve captar
Fotografe com o toldo na posição em que vive no dia-a-dia — não só enrolado para a foto de marketing. Peitoril cria faixa inferior: 5–10 cm de elevação ou recuo do módulo mudam a geometria. Árvore caduca melhora no inverno e piora no verão; o oposto do prédio vizinho. Anote estes três no mesmo papel do azimute. Se o toldo for fixo opaco, a exposição útil pode ser zero independentemente do sul no mapa.
Condomínio e fixação são o passo seguinte — só depois de haver sol real no teste.
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