A proposta solar da EDP para 2025 coloca-o perante uma escolha clara: a conveniência de uma marca gigante ou o preço potencialmente mais baixo de um instalador independente. A verdade é que um sistema de 3 kWp da EDP pode custar entre 4.500€ e 5.500€, prometendo poupanças anuais de até 500€, mas o retorno do investimento estende-se frequentemente por 9 a 13 anos. A questão não é se funciona — funciona, claro —, mas se o pacote completo justifica a diferença de preço face a alternativas que usam painéis tecnicamente superiores.
Muitas famílias sentem-se atraídas pela segurança do nome EDP e pelas facilidades de pagamento, que diluem o investimento inicial em mensalidades suaves. No entanto, é fundamental perceber o que está realmente a comprar. Por trás da marca, estão painéis, inversores e uma estrutura de custos que nem sempre é a mais competitiva. Este guia vai dissecar a oferta da EDP, sem rodeios de marketing, para que possa tomar uma decisão informada.
O que está realmente na oferta solar da EDP?
A EDP não fabrica os seus próprios painéis. A empresa funciona como uma integradora de sistemas, selecionando componentes de fabricantes globais — frequentemente a JA Solar e outras marcas equivalentes — e empacotando-os numa solução "chave-na-mão". Em 2025, a oferta residencial está dividida em três frentes principais, cada uma a visar um tipo de cliente diferente.
A Gama Quality é a porta de entrada. Utiliza painéis monocristalinos com potências a rondar os 420 Wp, focados numa boa relação preço/desempenho. São robustos e eficientes, mas sem grandes luxos estéticos. Pelo contrário, a Gama Premium aposta no design, com painéis "full black" (moldura e células pretas) que se integram de forma mais discreta no telhado. Oferecem uma potência ligeiramente superior, na casa dos 445 Wp, e, mais importante, uma garantia de produto de 25 anos, contra os 12 anos da gama Quality.
A novidade mais interessante é talvez a solução EDP Solar Apartamentos. Trata-se de um kit com painéis flexíveis e muito leves (cerca de 3,5 kg cada), desenhados para serem instalados no gradeamento de varandas. Com uma ligação direta a uma tomada, esta solução plug-in visa quem vive em apartamentos e não tem acesso ao telhado, prometendo uma redução de até 25% no consumo da rede com um sistema simples de dois painéis.
Análise técnica: quão bons são estes painéis?
Vamos diretos ao ponto: os painéis usados pela EDP são bons, mas não são a elite do mercado. Com uma eficiência de conversão a rondar os 20% a 21,5%, posicionam-se no segmento médio-alto. Funcionam perfeitamente para a grande maioria dos telhados em Portugal. O problema surge quando o espaço é limitado. Se o seu telhado é pequeno ou tem muitas sombras de chaminés e claraboias, cada centímetro quadrado conta.
Nesse cenário, marcas de topo como a SunPower, REC ou Aiko, disponíveis através de instaladores independentes, oferecem eficiências que já ultrapassam os 22,5% e podem chegar aos 23,8%. Esta diferença de 2% pode parecer pequena, mas num telhado limitado pode significar a capacidade de instalar mais um painel, gerando centenas de kWh extra por ano. Além disso, as garantias de produção destes painéis de elite são superiores, garantindo cerca de 89-92% da potência original ao fim de 25 anos, enquanto os painéis da EDP (tipicamente JA Solar) se ficam pelos 84-85%. A longo prazo, a degradação é maior.
Quanto custa realmente um sistema solar da EDP?
A EDP promove intensivamente o pagamento em mensalidades, o que pode mascarar o custo total do sistema. Embora os preços exatos dependam sempre de uma visita técnica, os valores de referência para 2025 dão uma imagem clara do investimento necessário. É importante notar que estes preços incluem instalação e toda a gestão burocrática, como o registo da Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) na DGEG.
Os valores podem variar ligeiramente com a complexidade da instalação (tipo de telha, altura do edifício), mas a tabela abaixo oferece uma base de comparação sólida.
| Tipo de Kit EDP (Telhado) | Potência Total Aproximada | Preço Estimado à Vista (com IVA 23% e Instalação) | Exemplo de Mensalidade (8 anos) |
|---|---|---|---|
| Kit de Entrada (Gama Quality, 4 painéis) | ~1.7 kWp | 2.700€ - 3.000€ | ~28€ - 35€ / mês |
| Kit Intermédio (Gama Quality, 8 painéis) | ~3.3 kWp | 4.500€ - 5.500€ | ~45€ - 60€ / mês |
| Kit Premium (6 painéis, estética superior) | ~2.7 kWp | 4.500€ - 5.500€ | ~50€ - 70€ / mês |
| Kit Varanda (2 painéis flexíveis) | ~0.7 kWp | ~700€ | ~22€ / mês (48 meses) |
O que estes números revelam é que o preço por kWp da EDP tende a ser mais elevado do que o de muitos instaladores especializados. Relatos de consumidores e comparações de mercado mostram que é possível encontrar propostas para sistemas de potência equivalente 20% a 30% mais baratas. A conveniência e o financiamento da EDP têm, efetivamente, um custo associado.
Produção vs. Realidade: o que esperar na sua fatura?
Um sistema de telhado com cerca de 3 kWp, bem orientado a sul em Portugal, pode gerar entre 3.500 e 4.500 kWh por ano. Numa zona como o Algarve, este valor pode ser ainda maior, enquanto no norte do país será ligeiramente inferior. Com um custo médio da eletricidade de 0,22€/kWh em 2025, a poupança potencial é atrativa.
No entanto, a poupança real depende de um fator crucial: a taxa de autoconsumo. Esta é a percentagem de energia solar que você consome em tempo real. Se a sua casa está vazia durante o dia e os grandes consumos (máquina de lavar, termoacumulador) ocorrem à noite, a sua taxa de autoconsumo pode ser de apenas 30%. O resto da energia é injetado na rede a um preço irrisório. Para uma família que trabalha a partir de casa ou que programa os eletrodomésticos para funcionar durante as horas de sol, o autoconsumo pode subir para 70% ou mais, maximizando a poupança.
Considerando um perfil de consumo médio, um sistema de 3 kWp da EDP resultará numa poupança anual realista entre 350€ e 500€. Cruzando isto com o investimento inicial (4.500€ - 5.500€), chegamos a um período de retorno do investimento (payback) de 9 a 13 anos. Este prazo, embora aceitável, é superior aos 7 a 9 anos frequentemente alcançados com instaladores independentes, precisamente devido ao custo de aquisição mais elevado.
O Veredicto: Vale a pena o pacote EDP?
A decisão de optar pela EDP não deve ser baseada apenas na tecnologia dos painéis, mas no valor do pacote completo. A grande vantagem da EDP é a simplicidade. A empresa trata de tudo: visita técnica, dimensionamento, instalação certificada, registo legal da UPAC e oferece uma aplicação móvel para monitorizar a produção. Para quem não quer ter dores de cabeça, procura a segurança de uma grande marca e valoriza o pagamento faseado sem juros, a EDP é uma opção sólida e segura.
Por outro lado, se o seu objetivo é obter o máximo retorno financeiro e a melhor tecnologia possível, a resposta é quase sempre procurar alternativas. Um instalador local certificado ou uma plataforma como a Otovo podem oferecer painéis de maior eficiência e garantias superiores por um preço total mais baixo. A poupança inicial de 1.000€ ou 1.500€ num sistema de 3 kWp pode reduzir o tempo de retorno em 2 ou 3 anos, uma diferença significativa.
Antes de decidir, a regra de ouro é simples: peça sempre, no mínimo, três orçamentos. Um da EDP, um de uma plataforma nacional e um de um instalador da sua região. Compare não só o preço final, mas a potência total instalada (kWp), a marca e o modelo dos painéis e do inversor, e as condições de garantia de cada componente. Só assim terá a certeza de que está a fazer o melhor negócio para a sua casa.
Navegar as regras e a burocracia em 2025
Instalar painéis solares em Portugal tornou-se mais simples, mas ainda existem regras a cumprir. Para a maioria das instalações residenciais até 30 kW, o processo exige apenas uma Comunicação Prévia de Exploração (CPE) no portal SERUP da DGEG, algo que empresas como a EDP tratam por si. Sistemas plug-in de varanda até 800W sem injeção na rede estão, por norma, isentos de registo, simplificando ainda mais o processo para apartamentos.
É crucial lembrar que desde meados de 2025, o IVA sobre os painéis solares e a sua instalação voltou à taxa normal de 23%, depois de um período a 6%. Este aumento teve um impacto direto no custo final dos sistemas. Se vive num condomínio, a autorização da assembleia de condóminos continua a ser, na maioria dos casos, obrigatória para instalações no telhado comum. A boa notícia é que a legislação está a evoluir para simplificar estes processos, mas em 2025, a regra mantém-se. Verifique sempre a situação legal antes de avançar.
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