Consumo Elétrico: Guia de Bombas de Calor AQS para 2025

O seu termoacumulador pode estar a custar-lhe mais 200€ por ano do que devia. Descubra como uma bomba de calor para águas quentes sanitárias (AQS) transforma o ar em poupança real na sua conta mensal.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

Aquecer a água dos seus banhos diários pode custar 460€ ou apenas 200€ por ano. A diferença, que chega a mais de 50%, não está na temperatura da água nem no seu conforto, mas na tecnologia escondida na sua arrecadação ou lavandaria. O vilão silencioso do seu consumo elétrico mensal é, muitas vezes, o termoacumulador elétrico tradicional, que funciona como uma resistência de chaleira gigante. A alternativa inteligente, uma bomba de calor para Águas Quentes Sanitárias (AQS), promete reduzir drasticamente essa despesa.

Mas como é que um equipamento consegue esta "magia"? A explicação é surpreendentemente simples. Em vez de gerar calor através de uma resistência incandescente — um processo notoriamente ineficiente —, a bomba de calor não cria calor, move-o. Pense nela como um frigorífico a funcionar ao contrário. Extrai o calor latente do ar ambiente (mesmo em dias frios, até -10°C) e transfere-o para a água no depósito. Este processo é tão eficiente que, por cada 1 kWh de eletricidade que você paga, o equipamento entrega entre 3 a 4 kWh de energia térmica à sua água. Essa relação é o famoso SCOP, ou Coeficiente de Desempenho Sazonal, a métrica que realmente importa na hora de escolher um modelo.

O segredo para um menor consumo: a eficiência do SCOP

Ignorar o SCOP é como comprar um carro sem saber o seu consumo aos 100 km. Um termoacumulador tem, na prática, um SCOP de 1: gasta 1 kWh elétrico para gerar 1 kWh de calor. Uma bomba de calor com um SCOP de 3,77, como a Vulcano AquaSmart, significa que por cada unidade de energia paga, ela produz 3,77 unidades de calor. Esta é a razão fundamental pela qual o seu consumo elétrico mensal desce a pique. Não é uma poupança marginal; é uma mudança de paradigma na forma como aquece a água em casa.

Este coeficiente é medido segundo a norma europeia EN 16147, que simula um uso real ao longo do ano, considerando variações de temperatura. Por isso, desconfie de marcas que apenas publicitam o COP (Coeficiente de Desempenho), um valor medido em condições de laboratório ideais. O SCOP é o indicador que reflete o desempenho no mundo real, na sua casa, ao longo das quatro estações do ano em Portugal.

Confronto de Titãs: Análise de 3 Modelos Populares para 2025

O mercado português oferece várias opções, mas três modelos destacam-se pela sua eficiência e popularidade. Analisámos a Vulcano AquaSmart, a Bosch Compress e a Ariston Nuos Plus para uma família de quatro pessoas, considerando os preços e tarifas esperadas para 2025. Os dados mostram diferenças claras não só no preço de aquisição, mas, mais importante, no custo operacional anual.

A escolha depende muito do perfil de consumo da sua família. Uma capacidade maior como a da Vulcano (270L) oferece mais conforto e autonomia para famílias grandes, evitando que a resistência elétrica de apoio seja ativada. Por outro lado, um modelo mais compacto e inteligente como o da Ariston pode ser ideal para quem tem um consumo mais controlado, beneficiando do menor custo anual.

Modelo Capacidade Classe Energética SCOP (a 14°C) Consumo Anual Estimado (Família 4p) Custo Anual (a 0,22€/kWh)
Vulcano AquaSmart 270-3E C 270 L A+++ 3,77 ~1.230 kWh ~270 €
Bosch Compress 5000 DW 200 L A+ 3,90 ~800 kWh ~176 €
Ariston Nuos Plus S2 WIFI 150 L A+ 3,35 ~415 kWh ~91 €
Termoacumulador (Comparação) 200 L C ~1,0 ~2.100 kWh ~462 €

O investimento compensa? A dura realidade do retorno

Aqui, a conversa fica séria. A poupança anual é evidente, mas o investimento inicial é consideravelmente mais alto. Um bom termoacumulador custa entre 300 a 500 euros. Uma bomba de calor, com instalação, pode facilmente ir dos 2.400€ aos 3.500€. A questão que todos fazem é: quando é que recupero o dinheiro? A resposta é... depende, e talvez demore mais do que espera. Vamos aos cálculos, considerando a diferença de custo para um termoacumulador e a poupança anual.

Para a Ariston Nuos, com uma poupança anual de cerca de 371€ face a um termoacumulador, e um custo extra de aquisição de talvez 2.000€, o retorno do investimento situa-se nos 5 a 6 anos. Já para a Vulcano, com uma poupança de 192€ anuais e um custo inicial superior, o tempo de retorno pode estender-se para lá dos 10 anos. Este é o ponto que os vendedores raramente detalham. A decisão não deve ser puramente financeira a curto prazo, mas sim uma aposta na resiliência energética a longo prazo e na valorização do imóvel.

Programas de apoio como o Fundo Ambiental podem reduzir drasticamente este tempo de retorno, comparticipando até 85% do valor (com um teto máximo). É fundamental estar atento a estes incentivos, pois transformam um investimento avultado numa decisão financeiramente muito mais apelativa.

A burocracia da eficiência: o que precisa saber antes de instalar

Antes de avançar, respire fundo. A transição para a eficiência energética em Portugal envolve alguma papelada, mas o processo tem sido simplificado. Para uma bomba de calor de AQS, que não injeta eletricidade na rede, a burocracia é mínima e normalmente tratada pelo instalador. Contudo, é crucial garantir que o equipamento possui todas as certificações obrigatórias, como a marcação CE e o cumprimento da norma EN 16147, que assegura que os valores de SCOP são fidedignos. A certificação KEYMARK, presente em modelos como o da Vulcano e Ariston, é um selo extra de qualidade e conformidade com os padrões europeus.

O mais importante é a escolha do instalador. A instalação de uma bomba de calor é mais complexa do que a de um termoacumulador. Exige conhecimentos de refrigeração e hidráulica. Certifique-se de que contrata um técnico certificado, pois uma má instalação pode comprometer toda a eficiência do sistema e anular a poupança esperada. Verifique também as condições da sua casa: a bomba precisa de um local com ventilação para "respirar" e extrair o calor do ar.

Veredicto final: qual a bomba de calor certa para a sua casa?

Não existe uma resposta única. A escolha da bomba de calor ideal depende inteiramente do seu perfil de consumo. Se a sua família é composta por duas a três pessoas com hábitos de consumo regrados, e o espaço é limitado, a Ariston Nuos Plus S2 WIFI 150L é uma escolha inteligente. Oferece o menor custo operacional anual e um preço de aquisição mais contido, maximizando a rapidez do retorno do investimento. A sua capacidade de 150 litros pode, no entanto, ser curta para picos de consumo.

Para famílias maiores, com quatro ou mais pessoas e um consumo de água quente elevado (banhos consecutivos, por exemplo), a robustez e capacidade da Vulcano AquaSmart 270-3E C justificam o seu tamanho e preço. A sua enorme capacidade e SCOP de topo garantem que raramente terá de recorrer à resistência elétrica, mantendo a eficiência máxima e o conforto constante. O modelo da Bosch surge como uma excelente opção de equilíbrio entre capacidade, preço e eficiência.

Independentemente do modelo, a transição de um termoacumulador para uma bomba de calor de AQS é uma das alterações com maior impacto na redução do seu consumo elétrico mensal. É um investimento inicial significativo, sim, mas que se paga não só em euros ao longo dos anos, mas também no conforto e na certeza de estar a usar uma tecnologia mais limpa e alinhada com o futuro da energia doméstica.

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Perguntas Frequentes

Como calcular o consumo elétrico mensal da minha casa?

Multiplique a potência do equipamento (em kW) pelo tempo de utilização (em horas) no mês: Consumo (kWh) = Potência (kW) × Horas de utilização. Por exemplo, um equipamento de 1 kW utilizado 2 horas por dia durante 30 dias consome 60 kWh/mês. Pode usar o simulador oficial da ERSE em erse.pt para estimativas mais precisas.

Qual é o consumo médio mensal de uma família portuguesa em 2025?

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), uma família de 2-3 pessoas consome em média 275 kWh/mês (3300 kWh/ano), enquanto uma família de 4 pessoas consome cerca de 453 kWh/mês (5436 kWh/ano). Uma pessoa que viva sozinha consome aproximadamente 110 kWh/mês.

Como aceder à calculadora de consumo elétrico mensal em Portugal?

Pode usar o simulador oficial da ERSE disponível em erse.pt/simuladores, que inclui dados de todas as fornecedoras do mercado liberalizado. Também existem simuladores privados como em tiagofelicia.pt e planosluzgas.pt que calculam o consumo com base nos seus eletrodomésticos e hábitos de utilização.

Qual é a potência contratada mais comum para famílias em Portugal?

A potência de 6,9 kVA é a mais comum para famílias de 3 a 5 pessoas. Para famílias menores ou vivendo sozinho, 3,45 ou 5,75 kVA são adequadas. Para casa com muitos equipamentos pesados, pode ser necessário 10,35 kVA.

Quanto custa em média a eletricidade por kWh em Portugal em 2025?

Os preços variam entre 0,1340€ a 0,1868€/kWh no mercado liberalizado, dependendo da fornecedora e tipo de tarifa. No mercado regulado, o preço é de aproximadamente 0,1658€/kWh (sem impostos). Estes valores incluem a tarifa de acesso às redes definida pela ERSE.

O que é a tarifa social de eletricidade e quem tem direito?

A tarifa social oferece um desconto de 33,8% sobre as tarifas e é destinada a famílias economicamente vulneráveis. Tem direito se receber prestações sociais (desemprego, abono de família, pensão social) ou se o rendimento anual do agregado familiar não exceder 6.272,64€ (acrescido de 50% por cada elemento sem rendimento, até máximo de 10 pessoas).

Qual é a diferença entre períodos de vazio, cheias e ponta?

São períodos horários com preços diferentes: o período de vazio (madrugada/noite) tem o preço mais baixo, cheias tem preço intermédio, e ponta (fim de tarde/noite) tem o preço mais elevado. A tarifa simples não tem diferenciação, a bi-horária divide em vazio e fora-vazio, e a tri-horária tem 3 períodos distintos.

Como reduzir o consumo elétrico mensal em casa?

Use lâmpadas LED em vez de incandescentes, aproveite a luz natural, desligue equipamentos em stand-by, reduza o tempo de banho quente, utilize a máquina de lavar e secar roupa em períodos de vazio (tarifas bi/tri-horárias), e prefira electrodomésticos com classificação energética A ou superior.

Qual é a diferença entre mercado regulado e mercado livre de eletricidade?

No mercado regulado, a ERSE define os preços e são menos competitivos; no mercado livre, cada fornecedor define os seus preços, oferecendo mais opções e normalmente tarifas mais competitivas. O mercado regulado terminará em 2025, obrigando todos a transitar para o mercado livre.

Como ler o contador inteligente de eletricidade?

Prima o botão de controlo ao centro do contador para ver o código na parte superior e o consumo abaixo. Em contadores com tarifa simples vê um valor, em bi-horários/tri-horários vê vários valores correspondentes a 1.8.1 (vazio), 1.8.2 (ponta) e 1.8.3 (cheias). O histórico detalhado está na app da e-Redes.

O que são CIEG e como afetam a fatura de eletricidade?

CIEG (Custos de Interesse Económico Geral) são custos de política energética incluídos na tarifa de acesso às redes, cobrindo renováveis, rendas de concessão e convergência tarifária com Açores/Madeira. Aparecem na fatura como parte da tarifa de acesso às redes e são obrigatórios para todos os consumidores (exceto autoconsumo até final de 2025).

Quais são os impostos e taxas na fatura de eletricidade?

A fatura inclui: Imposto Especial de Consumo (IEC) de 0,001€/kWh (isentos com tarifa social), Contribuição Audiovisual (CAV) de 2,85€/mês, Taxa DGEG (proporcional à potência), e IVA (6% até 200 kWh/30 dias, depois 23%). O IEC é repassado ao Estado.

Como muda o IVA da eletricidade em 2025?

A partir de 2025, a taxa reduzida de 6% aplica-se aos primeiros 200 kWh por cada 30 dias (ou 300 kWh para famílias numerosas) em contratos com potência ≤6,9 kVA. O consumo restante está sujeito a IVA de 23%. A componente fixa (potência) mantém IVA reduzido de 6%.

Existem subsídios ou apoios para reduzir o consumo elétrico em 2025?

Sim, o Programa E-LAR oferece vouchers de 146€ a 600€ para placas/fornos e 500€ a 615€ para termoacumuladores. O Programa de Apoio a Bairros mais Sustentáveis oferece até 15.000€ por fração para mejoria energética. Consulte a DGEG (direção-geral de energia e geologia) para elegibilidade e candidaturas.

Como comparar tarifas de eletricidade e escolher a melhor para mim?

Use o simulador oficial da ERSE em erse.pt, indique o seu perfil de consumo mensal, potência contratada e tipo de tarifa preferida (simples, bi-horária ou tri-horária). Aparecem todas as ofertas do mercado ordenadas por preço. Alguns simuladores privados permitem carregar ficheiros de consumo da e-Redes para análise mais precisa.