Venda de Excedente Solar: O Guia Completo para Portugal 2025

A sua fatura da luz continua a subir, mas o seu telhado passa o dia ao sol sem produzir nada. E se, para além de reduzir essa fatura, ainda pudesse receber dinheiro por isso? Analisamos a fundo a venda de excedente solar em Portugal.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

A ideia de ver o contador a andar para trás e receber dinheiro da sua comercializadora de energia é, sem dúvida, atraente. Muitos instalam painéis solares a pensar exatamente nisso: cobrir os próprios consumos e vender o resto. Mas a realidade da venda de excedente em Portugal em 2025 é um pouco mais complexa do que os folhetos de marketing fazem parecer. O valor que lhe pagam pela sua energia é drasticamente inferior ao preço que você paga para a comprar, o que levanta uma questão fundamental: será que o foco na venda é a estratégia mais inteligente?

A resposta curta é: provavelmente não. A chave para a máxima rentabilidade de um sistema fotovoltaico residencial não está na quantidade de energia que vende, mas sim na quantidade que consegue autoconsumir. Vender o kWh que os seus painéis produzem rende-lhe, na melhor das hipóteses, entre 0,04€ e 0,06€. No entanto, cada kWh que você autoconsome representa uma poupança de cerca de 0,23€ (o preço que pagaria para o comprar à rede em 2025). A diferença é brutal e muda completamente a forma como deve planear a sua instalação.

A matemática que ninguém lhe mostra: Autoconsumo vs. Injeção

Vamos a um exemplo prático. Imagine uma família com uma instalação de 800W, virada a sul em Lisboa, que gera cerca de 800 kWh por ano. Sem qualquer gestão, talvez consiga autoconsumir 30% dessa energia (240 kWh), porque a maior produção acontece a meio do dia, quando a casa está vazia. Os restantes 70% (560 kWh) são injetados na rede. A poupança direta será de 240 kWh x 0,23€ = 55,20€. A receita da venda será de 560 kWh x 0,05€ = 28€. O ganho total anual é de 83,20€.

Agora, considere a mesma família, mas que investe numa pequena bateria ou simplesmente ajusta os seus hábitos, ligando a máquina de lavar loiça ou o termoacumulador durante as horas de sol. Se conseguirem aumentar a taxa de autoconsumo para 70%, o cenário muda. Autoconsomem 560 kWh (poupança de 128,80€) e vendem apenas 240 kWh (receita de 12€). O ganho total anual sobe para 140,80€. É quase o dobro do benefício financeiro, apenas por mudar o foco da venda para o consumo inteligente. A venda do excedente deve ser vista como um bónus, não como o objetivo principal.

A burocracia para legalizar a produção de energia solar em Portugal tem vindo a simplificar-se, mas ainda existem passos obrigatórios, especialmente se quiser injetar energia na rede. Esquecer um deles pode resultar em problemas. A regra de ouro é: qualquer sistema que injete energia na rede, independentemente da potência, tem de ser registado.

Para a maioria das instalações residenciais, classificadas como Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), o processo faz-se através do portal SERUP da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Para potências entre 350W e 30kW, basta uma Comunicação Prévia. É um processo online onde submete os detalhes técnicos da instalação. A boa notícia é que, para potências até 30 kW, o registo é gratuito. Acima disso, os requisitos tornam-se mais exigentes e dispendiosos, incluindo certificados de exploração e inspeções.

Após o registo na DGEG, o passo seguinte é contactar a E-Redes. Eles são responsáveis por substituir o seu contador atual por um contador inteligente bidirecional, capaz de medir tanto a energia que consome como a que injeta. Esta substituição, por lei, não tem custos para o consumidor. Só depois de ter o contador novo e o registo da UPAC ativo é que pode celebrar um contrato de venda de excedente com uma comercializadora. Finalmente, terá de abrir atividade nas Finanças para declarar estes rendimentos, embora exista isenção de IRS para receitas anuais até 1.000€.

Que painéis escolher para maximizar o excedente (sem gastar uma fortuna)

A escolha do painel certo é um equilíbrio delicado entre eficiência, preço e durabilidade. Um painel mais eficiente produz mais energia na mesma área, o que é crucial se tiver um telhado pequeno. No entanto, a eficiência de topo tem um custo que nem sempre compensa. Em 2025, o mercado oferece excelentes opções com uma ótima relação preço-desempenho.

Modelos como o Longi Hi-MO X6 ou o JA Solar DeepBlue 4.0 Pro oferecem eficiências superiores a 23% a um custo por watt muito competitivo. São a escolha sensata para a maioria das residências. O Trina Solar Vertex S+ é outra opção fantástica, especialmente pela sua garantia de potência de 30 anos, um sinal de confiança na longevidade do produto. Para quem procura a máxima produção possível e não se importa de pagar um prémio, o Aiko Solar Comet 2U, com a sua eficiência a roçar os 25%, é o líder tecnológico. Contudo, para a maioria das pessoas, o ganho de produção de um painel de 25% face a um de 23% não justifica a diferença de preço, e o dinheiro extra estaria melhor investido numa bateria.

Um fator crítico a ter em conta é a alteração do IVA. Até 30 de junho de 2025, o IVA para equipamentos de energias renováveis é de 6%. A partir de 1 de julho de 2025, o IVA sobe para 23%. Esta alteração terá um impacto significativo no custo final da instalação, tornando mais urgente a decisão de avançar com o projeto.

Comparativo de Painéis Solares Populares para Autoconsumo (2025)

Modelo Potência Típica Eficiência Custo Estimado (€/W) Ideal Para
Longi Hi-MO X6 600 W 23.2% 0,30 - 0,50 € Melhor relação preço-desempenho geral para instalações residenciais.
JA Solar DeepBlue 4.0 Pro 595 W 23.0% 0,35 - 0,55 € Maximizar a produção em telhados com espaço limitado.
Trina Solar Vertex S+ 455 W 22.8% 0,30 - 0,48 € Projetos que valorizam a longevidade e uma garantia de 30 anos.
Aiko Solar Comet 2U 670 W 24.8% 0,50 - 0,70 € Quem procura a máxima tecnologia e eficiência, independentemente do custo.
Canadian Solar HiKu6 600 W 21.5% 0,28 - 0,45 € Orçamentos mais controlados que não querem sacrificar a qualidade de construção.

Baterias vs. Venda: O dilema que define a sua poupança

Com as tarifas de injeção tão baixas, a conversa sobre o armazenamento de energia torna-se inevitável. Uma bateria permite-lhe guardar a energia produzida durante o dia, quando o consumo é baixo, para a usar à noite, quando o consumo é alto e a eletricidade da rede é mais cara. Essencialmente, a bateria transforma a sua energia solar, que vale 0,05€/kWh se a vender, em energia que vale 0,23€/kWh se a usar para evitar comprar à rede.

O problema, claro, é o custo. Adicionar uma bateria de capacidade útil de 5 kWh a um sistema pode custar entre 1.500€ e 3.000€, o que aumenta significativamente o investimento inicial e o tempo de retorno. A decisão de investir numa bateria depende do seu perfil de consumo. Se a sua casa tem um consumo noturno elevado (carros elétricos a carregar, climatização), uma bateria pode fazer todo o sentido e pagar-se em 6 a 8 anos. Se, pelo contrário, o seu consumo se concentra durante o dia, talvez seja mais rentável investir num sistema de gestão de energia que liga os seus eletrodomésticos automaticamente durante os picos de produção solar.

Em resumo, a venda de excedente é uma funcionalidade interessante, mas não deve ser o pilar da sua estratégia de energia solar. A verdadeira revolução financeira acontece quando você consegue alinhar a produção dos seus painéis com o consumo da sua casa, tornando-se o mais autossuficiente possível. Trate a venda à rede como um pequeno extra, uma forma de rentabilizar os poucos kWh que inevitavelmente sobram, e não como uma fonte de rendimento. O verdadeiro "lucro" está na fatura da luz que você deixa de pagar.

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Perguntas Frequentes

Quais são os requisitos legais obrigatórios para vender excedente de energia em Portugal?

É obrigatório ter a UPAC registada na DGEG, contador bidirecional, CPE de produção distinto, abrir atividade nas Finanças (CAE 35123) e celebrar contrato com uma comercializadora autorizada.

Quanto custa instalar um sistema fotovoltaico residencial em Portugal?

Uma instalação residencial média custa entre 3.500€ e 6.000€ para sistemas de 3-4 kWp (4-8 painéis), podendo variar até 13.900€ para sistemas maiores com bateria.

Qual é o tempo de amortização (payback) de um painel solar em Portugal?

O período de retorno varia entre 7 e 11 anos, dependendo da potência instalada, consumo energético e preço da eletricidade local, sendo possível reduzir este período com a venda de excedente e incentivos fiscais.

Quanto posso ganhar por ano vendendo o excedente de energia solar?

Um pequeno sistema com 100 kWh/mês de excedente pode render entre 60€/ano (preço fixo de 0,05€/kWh) e 89€/ano (preço indexado ao OMIE).

Qual é a potência instalada ideal para uma casa portuguesa média?

Uma casa média em Portugal consome entre 2.500 e 5.000 kWh/ano, necessitando de 4-8 painéis (3-4 kWp) para cobrir a maioria do consumo.

Posso instalar painéis solares em qualquer lugar da minha casa?

Os painéis devem ser instalados em telhados, terraços ou solo com orientação a sul, sem sombras, necessitando aproximadamente 2 metros quadrados por painel para máxima produção.

Quais são os benefícios fiscais para venda de excedente de energia?

Isenção de IRS até 1.000€/ano em rendimentos de venda de excedente (UPAC ≤ 1 MW) e isenção de IVA até 13.500€/ano, com obrigação de abrir atividade nas Finanças.

Como funciona o processo de registo na DGEG?

Aceda ao Portal da DGEG com credenciais bancárias, submeta dados da instalação e, para potências até 30 kW, só é necessária comunicação prévia sem controlo prévio, gerando o número oficial da instalação.

Que tipo de contador é necessário para vender excedente?

É necessário um contador bidirecional (settlement ativo) fornecido e instalado gratuitamente pela E-Redes após registo na DGEG, que regista tanto consumo como injeção na rede.

Quais são as melhores comercializadoras para compra de excedente em 2025?

Operadores como MEO (0,04€-0,08€/kWh), Iberdrola (0,055€/kWh), EDP, Lusitano, e Coopérnico oferecem diferentes tarifas fixas ou indexadas ao OMIE; compare propostas antes de contratar.

Preciso de baterias para vender excedente de energia solar?

Não é obrigatório ter baterias para vender excedente, mas aumentam a rentabilidade ao armazenar energia para períodos noturnos, com custo adicional de 2.500€ a 7.000€ conforme capacidade.

Existem subsídios em 2025 para instalar painéis solares com venda de excedente?

Sim, existem programas como Vale Eficiência (até 3.900€ por família), Bairros mais Sustentáveis (até 15.000€) e programas regionais (PROENERGIA nos Açores), com candidaturas até final 2025.

Quanto custa abrir atividade nas Finanças para vender excedente?

A abertura de atividade nas Finanças com CAE 35123 é gratuita e pode ser feita integralmente online através do Portal das Finanças em alguns minutos.

Qual é o contrato ideal: preço fixo ou preço indexado ao mercado?

Preço fixo oferece segurança e previsibilidade (típico 0,05€/kWh), enquanto preço indexado (OMIE) oferece maior rentabilidade em períodos de preços altos, mas variável; compare propostas das comercializadoras.