A diferença entre a fatura de eletricidade mais cara e a mais barata em Portugal pode chegar a quase 100€ por ano, mas o segredo não está apenas no preço por quilowatt-hora (kWh). Muitas famílias são atraídas por um preço de energia aparentemente baixo, apenas para descobrir que o valor fixo diário que pagam pela potência contratada — o chamado termo de potência — anula toda a poupança. Em 2025, compreender esta dinâmica é a chave para não pagar mais do que o necessário.
Regulado vs. Liberalizado: A Batalha dos Cêntimos na Fatura de 2025
Ainda existe uma confusão considerável sobre qual mercado oferece as melhores condições. O mercado regulado, gerido pela SU Eletricidade, oferece um preço definido pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), servindo como uma espécie de porto seguro contra a volatilidade. Por outro lado, o mercado liberalizado fervilha de ofertas concorrenciais, com empresas como a Endesa ou a Goldenergy a lutar pela sua preferência com campanhas agressivas. A questão é: qual deles lhe serve melhor?
Para uma família com uma potência contratada comum de 6.9 kVA, as diferenças são claras. A Endesa, por exemplo, ataca o mercado com o preço por kWh mais baixo, mas cobra um dos termos de potência mais elevados. A Goldenergy apresenta um equilíbrio maior, enquanto a tarifa regulada se mantém como um termo de comparação sólido. A escolha certa depende inteiramente de como e quanta energia você consome.
Vamos olhar para os números concretos previstos para o final de 2025, que mostram como as estratégias de cada empresa se refletem na sua fatura.
| Comercializador | Tarifa / Campanha | Preço Energia (/kWh) | Termo Potência (/dia) | Custo Fixo Anual (Potência) |
|---|---|---|---|---|
| SU Eletricidade | Regulado (ERSE) | 0,1658 € | 0,3400 € | 124,10 € |
| Endesa | Tarifa Digital | 0,1297 € | 0,5387 € | 196,63 € |
| Goldenergy | Parceria ACP (Sócios) | 0,1492 € | 0,3500 € | 127,75 € |
O Diabo Está no Termo de Potência: Quem Ganha e Quem Perde?
Olhando para a tabela, a escolha parece óbvia: a Endesa tem o kWh mais barato. Contudo, esta é uma armadilha clássica. O seu custo fixo anual de quase 200€, referente apenas à potência, é significativamente mais alto do que os cerca de 125€ da tarifa regulada ou da Goldenergy. Isto significa que, se o seu consumo for baixo, o peso do termo de potência pode anular e até reverter a poupança que teria no consumo.
Vamos a um exemplo prático. Para uma família que consome 4000 kWh por ano, a poupança com a Endesa face ao mercado regulado é de cerca de 72€ anuais. É uma poupança real e que justifica a mudança. No entanto, para um casal que vive num apartamento, passa a maior parte do dia fora e tem um consumo anual de apenas 2000 kWh, o cenário muda drasticamente. A poupança no consumo seria menor e não conseguiria compensar o custo extra de 72€ no termo de potência. Nesse caso, a tarifa regulada poderia acabar por ser mais económica. A lição é simples: consumos elevados beneficiam de um kWh baixo, consumos baixos beneficiam de um termo de potência reduzido.
A Sua Fatura Pode Descer Mais: O Autoconsumo Entra em Jogo
Mudar de comercializador é o primeiro passo, mas a verdadeira revolução na sua fatura vem da produção da sua própria energia. O autoconsumo, através de painéis fotovoltaicos, deixou de ser um luxo de entusiastas para se tornar uma opção financeiramente viável para muitas famílias. O enquadramento legal, definido pelo regime de Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), foi simplificado. Para pequenas instalações, o processo é hoje relativamente simples.
A regra geral é que qualquer sistema com injeção de excedente na rede pública exige um registo na plataforma SERUP da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). No entanto, a burocracia varia com a potência. Sistemas muito pequenos, como os de varanda com até 350W, podem ser instalados por si sem necessidade de um técnico certificado. Acima desse valor e até 30kW, a instalação exige um eletricista certificado e uma Comunicação Prévia à DGEG, um processo que se tornou mais ágil. A boa notícia é que novas simplificações estão previstas para entrar em vigor no final de 2024, prometendo tornar o processo ainda mais acessível.
Painéis Solares Compensam Mesmo com Eletricidade a 13 Cêntimos?
Esta é a pergunta de um milhão de euros. Se consigo comprar eletricidade tão barata da rede, vale a pena o investimento inicial de milhares de euros em painéis solares? A resposta é um "sim" cauteloso, que depende crucialmente de um fator: a sua taxa de autoconsumo, ou seja, a percentagem de energia solar que você consegue consumir em tempo real.
Consideremos um sistema típico de 3 kWp (cerca de 6 a 8 painéis), com um custo de instalação "chave na mão" de aproximadamente 3.000€ em 2025. Este sistema, em Lisboa, pode produzir cerca de 4500 kWh por ano. A matemática do retorno do investimento não é tão simples como multiplicar essa produção pelo preço da eletricidade. O valor que você extrai de cada kWh solar depende se o consome ou se o vende à rede.
A realidade é que uma família comum, sem sistemas de gestão de energia ou baterias, apenas consegue consumir diretamente cerca de 40% da energia produzida. Os restantes 60% são injetados na rede e vendidos a um preço irrisório, muitas vezes à volta de 0,05 €/kWh. O verdadeiro ganho está nos 40% que você consome, pois cada um desses kWh representa uma poupança de 0,1297 € (usando o preço da Endesa como referência). Fazendo as contas, o benefício anual total ronda os 370€. Isto resulta num período de retorno do investimento de cerca de 8 anos. Não são os 4 ou 5 anos que muitas vezes são publicitados, mas é um cálculo honesto e ainda assim atrativo, considerando que a vida útil dos painéis é superior a 25 anos.
| Parâmetro | Valor | Notas |
|---|---|---|
| Investimento Inicial | 3.000 € | Sistema de 3 kWp, instalado. |
| Produção Anual Estimada | 4500 kWh | Varia com a localização e orientação. |
| Taxa de Autoconsumo | 40% (1800 kWh) | Energia consumida instantaneamente. |
| Poupança Direta Anual | 233,46 € | 1800 kWh x 0,1297 €/kWh (preço Endesa) |
| Receita Venda Excedente | 135,00 € | 2700 kWh x 0,05 €/kWh |
| Benefício Total Anual | 368,46 € | Poupança + Receita |
| Retorno do Investimento | ~8.1 anos | Investimento / Benefício Anual |
Antes de Instalar: As Regras e Custos que Ninguém Menciona
A decisão de avançar para o autoconsumo não deve ser tomada de ânimo leve. Existem detalhes práticos e custos que os vendedores nem sempre destacam. Primeiro, a questão do IVA. A taxa reduzida de 6% para equipamentos de energias renováveis termina a meio de 2025, regressando aos 23%. Esta alteração, por si só, vai encarecer o investimento em centenas de euros, pelo que o timing da sua decisão é financeiramente relevante.
Se vive num condomínio, a instalação em telhados ou áreas comuns requer, na maioria dos casos, a aprovação da assembleia de condóminos, o que pode ser um processo moroso e, por vezes, frustrante. Embora haja propostas legislativas para simplificar este ponto, em 2025 a regra mantém-se. Além disso, a instalação deve ser feita por profissionais certificados, que garantam não só a conformidade com as normas elétricas, mas também que a estrutura de montagem resista a ventos fortes, um detalhe de segurança muitas vezes esquecido.
Por fim, não se esqueça do seguro. Para sistemas com injeção na rede, é obrigatório um seguro de responsabilidade civil. É um custo anual baixo (50€-150€), mas que precisa de ser considerado no seu plano financeiro. O caminho para a independência energética é aliciante, mas exige planeamento e um conhecimento claro de todas as variáveis. Entender a sua fatura e os seus padrões de consumo é o primeiro passo, e o mais importante, para realmente poupar dinheiro em 2025, com ou sem painéis no telhado.
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