Técnico Solar Certificado: O Guia Essencial para 2025

A diferença entre uma instalação solar que poupa 1.200€ por ano e outra que se torna uma dor de cabeça legal não está nos painéis, mas sim no técnico que os monta. Saiba como escolher o profissional certo.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

A diferença entre uma instalação solar que lhe poupa 1.200€ por ano e outra que se torna uma dor de cabeça legal não está na marca dos painéis, mas sim na competência de quem os monta no seu telhado. Contratar um "desenrascado" em vez de um técnico solar certificado pode parecer uma poupança inicial, mas muitas vezes acaba em infiltrações, problemas com a E-REDES e, pior, numa instalação ilegal perante a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). O verdadeiro valor de um profissional credenciado não é apenas aparafusar estruturas; é garantir que o seu investimento de milhares de euros funciona de forma segura, legal e eficiente durante 25 anos.

Para lá do 'chapa 5': o que realmente distingue um técnico credenciado?

Qualquer pessoa pode ver vídeos e aprender a ligar cabos. Um verdadeiro técnico solar certificado, contudo, é muito mais do que isso. Em Portugal, a instalação de sistemas de autoconsumo (UPAC) é considerada uma instalação elétrica. Isto significa que a empresa ou o técnico responsável tem de estar registado na DGEG como instalador de instalações elétricas de serviço particular. Esta não é uma mera formalidade. É a garantia de que o profissional tem formação para dimensionar corretamente o sistema, escolher os disjuntores adequados e assegurar que a sua casa não corre riscos de incêndio.

Este profissional é quem assina o termo de responsabilidade pela instalação. Pense nisto como o "bilhete de identidade" do seu sistema solar. Sem este documento, emitido por um técnico habilitado, a sua Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) simplesmente não existe para as autoridades. Qualquer sistema com mais de 350W precisa, no mínimo, de uma Comunicação Prévia à DGEG através da plataforma SERUP, um processo que só um instalador credenciado sabe navegar corretamente. Ignorar isto é arriscar coimas e a recusa de ligação à rede por parte da E-REDES caso queira vender o excedente.

Além da habilitação da DGEG, desconfie de quem não demonstra conhecimento das normas técnicas, como as IEC 61215 e 61730 para os painéis ou a secção 7-712 das Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT), dedicada a sistemas fotovoltaicos. Um bom técnico sabe que a estrutura de montagem tem de aguentar ventos de mais de 100 km/h e que o ângulo ideal dos painéis em Portugal ronda os 30-35 graus para maximizar a produção anual, não apenas a de verão.

Os painéis que os bons técnicos estão a instalar em 2025

Um instalador certificado e experiente não recomenda qualquer painel. Ele sabe quais as marcas que oferecem a melhor combinação de eficiência, fiabilidade e apoio técnico em Portugal. Em 2025, o mercado residencial está a ser dominado pela tecnologia N-Type, que oferece melhor desempenho em dias nublados e maior longevidade. Fuja de quem lhe tenta vender painéis "fantásticos" de uma marca desconhecida com base apenas no preço baixo.

A escolha certa depende do seu telhado e orçamento. Um telhado pequeno beneficia de painéis de alta eficiência, como os da Aiko Solar, que conseguem gerar mais energia por metro quadrado. Para telhados maiores onde o espaço não é um problema, modelos de marcas como JA Solar ou Jinko podem oferecer uma relação preço/performance imbatível, permitindo instalar mais potência pelo mesmo investimento. O trabalho do técnico é analisar o seu caso e propor a solução mais inteligente, não a mais cara.

Para ter uma ideia concreta do que os profissionais de topo estão a usar, preparámos uma tabela com os modelos mais vistos em instalações residenciais em Portugal no final de 2025. Os preços são uma média por painel, já com margens de instalação incluídas num projeto "chave na mão", e podem variar ligeiramente.

Modelo (Exemplo Típico 2025) Potência Nominal Eficiência Média Preço Médio por Painel (s/IVA) Comentário do Instalador
Aiko Solar Black Hole N-Type 475 W ~23.8% 190€ - 220€ O topo de gama em eficiência. Ideal para telhados com pouco espaço para maximizar a produção.
Longi Hi-MO X6 460 W ~22.8% 170€ - 200€ Uma escolha premium muito fiável, com excelente reputação e forte presença no mercado português.
Jinko Tiger Neo N-Type 470 W ~22.7% 160€ - 190€ Provavelmente o melhor equilíbrio entre preço, tecnologia N-Type e performance. Muito popular.
JA Solar DeepBlue 4.0 Pro 455 W ~22.0% 140€ - 170€ O "cavalo de batalha". Fiável, com um custo por Watt muito competitivo. Uma aposta segura.
Trina Solar Vertex S+ 460 W ~22.3% 160€ - 190€ Painel compacto e eficiente, uma excelente opção para telhados residenciais com geometria complexa.

Quanto custa a tranquilidade? Análise de custos e retorno para 2025

Vamos a números. Uma instalação residencial típica em Portugal para uma família de 4 pessoas ronda os 5 kWp de potência, o que corresponde a cerca de 10 a 11 painéis dos modelos mencionados acima. Um sistema destes, instalado por uma empresa certificada com material de qualidade (incluindo inversor, estrutura, cablagem e legalização), terá um custo "chave na mão" em 2025 que varia entre 5.500€ e 8.000€, antes de IVA. A variação depende da complexidade do telhado, da marca do equipamento e se inclui ou não uma bateria de armazenamento.

Assumindo um custo médio de 6.000€ para um sistema de 5 kWp sem bateria, e uma boa orientação a sul, pode esperar uma produção anual a rondar os 8.000 kWh. A poupança real vem da combinação da energia que deixa de comprar à rede e da pequena receita da venda do excedente. Com um preço médio da eletricidade de 0.20€/kWh e um valor de venda do excedente de 0.07€/kWh, a poupança anual total pode facilmente chegar aos 1.200€ ou 1.300€. O cálculo é simples: 6.000€ de investimento a dividir por 1.200€ de poupança anual resulta num retorno do investimento (payback) de aproximadamente 5 anos. Se tiver consumos elevados durante o dia (carro elétrico, bomba de calor), este valor pode cair para 4 anos.

A burocracia da DGEG e da Câmara Municipal: o que o seu instalador tem de saber

Aqui é onde um técnico certificado justifica cada cêntimo do seu trabalho. A legalização de um sistema solar não é apenas submeter um formulário online. Primeiro, há o processo da DGEG. Um sistema de 5 kWp exige uma Comunicação Prévia, acompanhada pelo termo de responsabilidade e pelo certificado de instalação. O instalador gere toda esta comunicação, garantindo que o seu sistema fica devidamente registado e legal para produzir energia.

Depois, entra a Câmara Municipal. Ao contrário do que muitos pensam, a instalação de painéis solares não está sempre isenta de controlo urbanístico. Em municípios como Lisboa ou Porto, a regra geral para uma moradia unifamiliar fora de zonas históricas é que a instalação em telhado inclinado, sem alterar a sua forma, é uma obra de escassa relevância urbanística, bastando uma comunicação prévia. Contudo, se viver num edifício classificado ou numa Área de Reabilitação Urbana (ARU), o processo pode exigir uma licença de obras e pareceres de entidades como a DGPC. Um instalador experiente sabe disto e irá verificar o enquadramento específico do seu imóvel antes de iniciar os trabalhos, evitando-lhe multas ou ordens de remoção.

O seu checklist final antes de assinar o contrato

Antes de se comprometer, faça o trabalho de casa. Não se deixe levar apenas pelo orçamento mais baixo. Um preço demasiado bom para ser verdade esconde, quase sempre, material de baixa qualidade, ausência de registos legais ou falta de seguro de responsabilidade civil — que é obrigatório para sistemas que injetam na rede.

Exija ver a credenciação da empresa na DGEG. Peça para falar com o técnico responsável e questione-o sobre projetos semelhantes que já executou. Verifique se o orçamento detalha todas as componentes: marca e modelo dos painéis e do inversor, tipo de estrutura, proteções elétricas e, crucialmente, se inclui a submissão de toda a documentação à DGEG e a eventual comunicação à Câmara Municipal. Um profissional sério terá todo o gosto em fornecer esta informação. A sua fatura de eletricidade e a sua tranquilidade futura dependem da escolha que fizer hoje.

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Perguntas Frequentes

Técnico solar certificado: subsídios disponíveis em Portugal

Existem vários programas de apoio: Vale Eficiência II com dotação de 104 milhões €, oferecendo até 85% de comparticipação (máximo 3.300€ para sistemas com bateria fora de Lisboa/Porto); o Programa E-lar (30 de setembro de 2025 a 30 de junho de 2026) com vouchers de até 3x1.300€; e o Programa Áreas Urbanas Sustentáveis com 50 milhões € para territórios vulneráveis.

Quem é obrigado a ter um certificado energético?

É obrigatório para: imóveis novos desde 2008; imóveis em venda ou arrendamento desde 2013; edifícios reabilitados com investimento ≥25% do valor; edifícios comerciais/serviços ≥1.000m²; edifícios do Estado com área útil >500m². A falta resulta em multas de 250€ a 3.740€ para particulares.

Quanto custa fazer um certificado energético?

Os preços variam conforme a tipologia: T0/T1 (≈40m²) custam 28€; T2/T3 (≈120m²) 40,50€; T4/T5 (≈180m²) 55€. Fatores como localização, complexidade dos sistemas e concorrência local influenciam o valor final, sendo aconselhável obter 2-3 orçamentos.

Como concorrer a janelas eficientes?

O Programa E-lar e Vale Eficiência II permitem candidaturas para substituição de janelas por classe A+ até 2.000€. Candidaturas abertas de 30 de setembro de 2025 a 30 de junho de 2026 no Programa E-lar, com processo simplificado via vale. Verificar elegibilidade em fundoambiental.pt.

Quem faz certificados energéticos?

Apenas Peritos Qualificados (PQ) certificados pela ADENE podem emitir certificados. São arquitectos ou engenheiros inscritos nas respectivas Ordens Profissionais com mínimo 5 anos de experiência, tendo aprovado exame realizado pela ADENE. Podem ser consultados no diretório ADENE.

Como arranjar um certificado energético?

Contactar um Perito Qualificado através da plataforma ADENE ou diretório 'Certificar é Valorizar'; preparar documentação (planta, caderneta predial, certidão de registo, ficha técnica); agendar visita ao imóvel (≈30 minutos); receber certificado via email em 2-6 dias úteis conforme urgência solicitada.

Quanto tempo demora a obter um certificado energético?

Após a visita ao imóvel (≈30 minutos), o certificado é emitido em 2-4 dias úteis no serviço standard, ou em 24-48 horas em serviços express. O prazo começa após confirmação da visita, pagamento e documentação completa estar disponível.

Como candidatar-me ao vale eficiência?

O Programa E-lar (2025-2026) permite candidaturas no site fundoambiental.pt para maiores de idade residentes em Portugal Continental. Beneficiários de Tarifa Social de Energia têm prioridade. Submeter candidatura até 30 de junho de 2026 ou esgotamento da dotação disponível.

Qual é o melhor certificado energético?

A classe A+ é a mais eficiente, exigindo ≤25% de necessidades de energia com isolamento elevado e ventilação mecânica com recuperação. A+ oferece poupança energética máxima, redução até 25% no IMI (em municípios que deliberem) e maior valorização imobiliária.

Como saber se uma casa tem certificado energético?

Consultar a plataforma ADENE inserindo o número do certificado energético ou o número de inscrição da Certidão do Registo Predial (CRP). Certificados têm validade de 10 anos para habitação. Pode-se emitir segunda via do documento consultando a plataforma.

Onde montar painéis solares na habitação?

Locais prioritários: telhados orientados a sul com 2m² mínimos sem sombras; terraços; varandas; zonas de estacionamento exterior. Fachadas são opção secundária. Requisito essencial: exposição solar máxima a sul/este/oeste sem obstáculos que prejudiquem produção.

Qual a potência recomendada de painéis solares para casas?

Casa pequena (2-3 pessoas): 15-20 kWh/dia; casa grande (4+ pessoas): 25-35 kWh/dia. Em 2025, painéis de 590W-730W são standard. Uma casa de 100m² necessita aproximadamente 11 painéis de 460W (ajustando conforme latitude: mais painéis no norte, menos no sul).

Qual é o período de amortização dos painéis solares em Portugal?

O payback situa-se entre 5-10 anos em Portugal dependendo do consumo, custos locais de eletricidade e apoios aproveitados. Após amortização, os painéis geram eletricidade gratuita pelos restantes 19-25 anos de vida útil esperada.

Quais são os requisitos legais para instalar painéis solares?

Sistemas <1,5kW: sem requisitos formais; 1,5-30kW: registo DGEG e comunicação prévia; >30kW: registo prévio e certificado de exploração. Instalação deve ser realizada por técnico certificado reconhecido pela DGEG. Para subsídios, empresa necessita alvará/certificado de empreiteiro.

O que é um Técnico Responsável (TRM) de Instalação?

TRM é habilitação profissional para instalação, assistência ou manutenção de sistemas técnicos em edifícios, obrigatória para obras financiadas ou certificadas energeticamente. Requisitos: engenheiro/engenheiro técnico com 3 anos experiência, ou qualificação CNQ nível 4 em climatização, ou aprovação em exame ADENE para TIM II.