Repsol Painéis Solares: Guia Completo 2025

Se está a ponderar painéis solares da Repsol, saiba que a empresa não os fabrica. Operam via Solar360, usando marcas Tier-1. Isto tem implicações diretas no preço e na qualidade que recebe.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

Se está a ponderar instalar painéis solares da Repsol, a primeira coisa a saber é que a empresa não fabrica os seus próprios painéis. Em Portugal, a sua operação é feita através da Solar360, uma joint-venture com a Movistar Prosegur Alarmas, que funciona como um serviço "chave na mão". Eles selecionam, fornecem e instalam equipamentos de fabricantes de topo – os chamados Tier-1, como a JA Solar ou a SunPower. Esta distinção é fundamental, pois define a proposta de valor: não está a comprar um produto Repsol, mas sim um serviço de integração e garantia com a chancela de uma gigante energética.

Isto significa que a qualidade do hardware é, à partida, elevada. No entanto, também explica por que o preço inicial pode parecer superior ao de outras propostas no mercado. Você paga pela conveniência, pelo estudo técnico, pela gestão da burocracia e pelo suporte pós-venda centralizado. A questão que se impõe não é se os painéis são bons, mas se este pacote de serviços justifica o custo adicional para a sua situação específica.

O que está realmente a comprar quando escolhe a Solar360?

Ao contrário do que o marketing pode sugerir, não existe um "painel solar Repsol" standard. A oferta adapta-se à evolução do mercado. Em 2025, para instalações residenciais em telhado, a Solar360 está a instalar predominantemente módulos com potências entre 450W e 550W. Estes painéis utilizam tecnologias avançadas como PERC ou TOPCon, termos técnicos que, na prática, se traduzem numa maior eficiência – produzem mais energia por metro quadrado, algo crucial para telhados com espaço limitado. A eficiência destes módulos situa-se entre 21.5% e 22.8%, um valor muito respeitável no segmento residencial.

A tecnologia "Half-Cut" (células cortadas ao meio), hoje um padrão da indústria, também está presente. A sua principal vantagem é a melhor performance em condições de sombra parcial. Se uma parte do painel for tapada por uma chaminé ou uma árvore ao final da tarde, o resto do painel continua a produzir energia de forma mais eficaz do que os modelos mais antigos. A garantia do produto costuma variar entre 12 e 25 anos, com uma garantia de produção linear que assegura que, ao fim de 25 anos, o painel ainda produzirá mais de 80-85% da sua capacidade original.

Para quem vive em apartamentos ou não quer uma instalação permanente, a Repsol também entrou no mercado dos kits "plug-in". Estes sistemas, com cerca de 440W (dois painéis de 220W), são projetados para varandas ou terraços e ligam-se diretamente a uma tomada. Embora a produção seja modesta, são uma excelente porta de entrada para o autoconsumo, capazes de abater os consumos base de uma casa, como o frigorífico ou os aparelhos em stand-by, durante o dia.

Análise de Custos: Quanto vai pagar e quando recupera o investimento?

O preço é, compreensivelmente, o fator decisivo para a maioria das famílias. A Repsol, através da Solar360, posiciona-se no segmento médio-alto. Um sistema "chave na mão" não é apenas o custo dos painéis e do inversor; inclui a estrutura de montagem, a instalação por técnicos certificados, o registo na DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia) e o suporte. Com a reposição do IVA para 23% em 2025, os orçamentos voltaram a subir ligeiramente.

Para ter uma ideia concreta, um sistema pequeno de 1.8 kWp, ideal para uma família com consumos moderados, pode custar entre 2.300€ e 2.800€. Já uma instalação média de 3.6 kWp, que cobre uma fatia significativa dos consumos de uma moradia com ar condicionado ou carro elétrico, ficará entre 3.800€ e 4.500€. Estes valores são indicativos; a orientação do telhado, o tipo de telha e a complexidade da instalação podem influenciar o orçamento final.

A pergunta de ouro é: em quanto tempo se paga? Considerando um preço médio da eletricidade de 0,16 €/kWh (valor já com taxas) e uma boa taxa de autoconsumo – a percentagem de energia que produz e consome em tempo real – o retorno do investimento acontece tipicamente entre 5 e 7 anos. A Repsol tenta encurtar esta perceção oferecendo descontos cruzados, como cêntimos por litro de combustível na app Waylet. Embora atrativo, é crucial fazer as contas com base apenas na poupança de eletricidade para ter uma visão realista do retorno financeiro.

Métrica Financeira (Sistema 2.2 kWp) Valor Estimado (Novembro 2025)
Custo Total da Instalação ~ 2.600 €
Produção Anual Estimada (Lisboa) 3.300 kWh
Poupança Anual Direta (Taxa Autoconsumo 70%) 370 € - 450 €
Retorno do Investimento (Payback) 5 a 7 Anos
Lucro Líquido a 25 Anos (após payback) > 7.500 €

Comparativo de Mercado: Repsol contra EDP, Otovo e Galp

Nenhuma decisão de compra deve ser feita no vácuo. O mercado português de energia solar residencial é altamente competitivo, com cada empresa a apostar numa estratégia diferente. A Repsol compete diretamente com outras grandes "utilities" como a EDP e a Galp, mas também com novos modelos de negócio digitais como a Otovo.

A EDP e a Galp oferecem propostas muito semelhantes à da Repsol: pacotes "chave na mão" com a confiança de uma marca estabelecida, muitas vezes com a conveniência de pagar a instalação diluída na fatura de energia. Os preços são competitivos entre si, com a diferenciação a surgir nos pequenos detalhes ou campanhas promocionais, como descontos em supermercados ou outros serviços do grupo. A sua principal desvantagem pode ser a menor flexibilidade na escolha do equipamento e processos por vezes mais lentos.

A Otovo representa a maior disrupção neste setor. Funcionando como um marketplace, a Otovo liga clientes a uma vasta rede de instaladores locais certificados, procurando o melhor preço para o equipamento desejado. O seu modelo de negócio, com menos custos fixos, permite-lhes frequentemente apresentar orçamentos 15-20% mais baixos para sistemas equivalentes. O contraponto é um serviço totalmente digital e um suporte pós-venda que depende da qualidade do instalador local que lhe for atribuído, o que pode ser uma aposta para alguns clientes.

Fornecedor (Sistema ~3.6 kWp) Modelo de Negócio Preço Estimado Ponto Forte Ponto Fraco
Repsol (Solar360) Serviço Premium + Ecossistema 4.200 € - 4.600 € Integração com descontos Repsol; Atendimento robusto. Preço inicial superior; Qualidade da instalação depende do subcontratado.
EDP Comercial Líder de Mercado 4.000 € - 4.400 € Confiança da marca; Pagamento na fatura. Fidelização longa; Equipamento standard.
Otovo Marketplace Digital 3.200 € - 3.600 € Melhor preço-performance; Transparência no hardware. Atendimento exclusivamente digital; Suporte variável.
Galp Solar Concorrente Direto 3.900 € - 4.300 € Descontos Continente/Galp; Opções com bateria. Processos burocráticos por vezes lentos.

A Burocracia e a Legalização Simplificadas: O que mudou?

Felizmente, a instalação de painéis solares para autoconsumo em Portugal tornou-se muito mais simples. Graças ao Decreto-Lei 15/2022, a maioria das instalações residenciais, como as que a Repsol propõe, enquadram-se no regime de Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC). Para potências até 30 kW, o processo exige apenas uma Mera Comunicação Prévia (MCP) à DGEG através do portal SERUP. Este é um dos serviços que empresas como a Solar360 tratam por si, eliminando uma dor de cabeça considerável.

É importante saber que qualquer sistema que possa injetar excedente na rede, por mais pequeno que seja, requer este registo. Sistemas plug-in até 700W que garantam injeção zero estão isentos, mas a maioria dos inversores modernos não tem esta funcionalidade de forma certificada, pelo que o registo é quase sempre a via correta. Para quem vive em condomínios, a aprovação da assembleia de condóminos ainda é geralmente necessária, embora a legislação futura aponte para uma simplificação deste passo.

Veredito Final: Para quem é a solução da Repsol a escolha certa?

A proposta da Repsol, através da Solar360, não é para todos. Se o seu principal objetivo é obter o menor custo por watt instalado e não se importa de gerir uma parte do processo ou interagir com uma plataforma digital, então alternativas como a Otovo serão financeiramente mais apelativas. O preço premium da Repsol não se traduz necessariamente em painéis dramaticamente superiores aos dos concorrentes diretos, mas sim num pacote de serviços e na segurança de uma marca omnipresente.

Então, quem é o cliente ideal? É a pessoa que valoriza a conveniência acima de tudo. Alguém que quer um único ponto de contacto, desde o orçamento inicial até ao suporte pós-venda, sem se preocupar com a escolha de componentes ou com os meandros da legalização. É também o cliente que já está inserido no ecossistema Repsol e que consegue extrair valor real dos descontos cruzados em combustíveis ou na fatura de eletricidade e gás. Para este perfil, pagar um pouco mais pela tranquilidade e pela integração pode ser um negócio que faz todo o sentido.

Em suma, a Repsol oferece uma solução solar sólida, fiável e bem integrada, mas cobra por essa conveniência. A decisão final dependerá do seu perfil: procura o melhor preço absoluto ou a experiência mais simples e segura?

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Perguntas Frequentes

Quanto custa instalar um painel solar em Portugal?

Em Portugal, o custo médio de instalação varia entre €2.350 e €13.900, dependendo da potência do sistema (4-12 painéis). Para uma instalação pequena (4 painéis/1,5 kWp), o custo é aproximadamente €2.000-€3.000, enquanto para um sistema médio (8 painéis/3 kWp) ronda os €4.000-€6.000, incluindo painéis, inversor, estrutura e mão-de-obra.

Quantas placas solares são necessárias para gerar 1000 kWh por mês?

Para gerar 1.000 kWh mensalmente em Portugal, são necessárias aproximadamente 16 placas solares de 550W ou 14-15 placas de 400-550W, considerando uma irradiação solar média de 5 kWh/m²/dia típica do país.

Quantos painéis fotovoltaicos preciso para uma residência?

Para uma residência média com consumo anual de 3.000-5.000 kWh, são necessários 4-10 painéis solares. Uma casa de 100 m² com consumo de 3.500 kWh/ano tipicamente necessita de 8-10 painéis, enquanto residências com maior consumo (6.000-8.000 kWh/ano) requerem 12-16 painéis.

Qual é a diferença entre painéis solares e fotovoltaicos?

Painéis solares térmicos convertem radiação solar em calor para aquecimento de água ou ambientes, enquanto painéis fotovoltaicos convertem luz solar diretamente em eletricidade. Os fotovoltaicos são mais adequados para gerar energia elétrica para consumo direto ou venda à rede.

Quais são os painéis solares mais eficientes em 2025?

As marcas mais eficientes em 2025 incluem Aiko Solar (24,2% de eficiência com módulo Comet 2U), Maxeon (24,1%), Longi Hi-MO X6 (23,2%) e Risen 700W com tecnologia HJT (23%). A tecnologia N-Type TOPCon e HJT dominam o mercado de alta eficiência.

Quanto paga a EDP por energia fotovoltaica?

A EDP compra o excedente solar entre 10-30% abaixo do preço de consumo. Em 2024/2025, com uma solução de 4 painéis (900 kWh/ano injetado), a poupança era aproximadamente €31/ano, enquanto com 12 painéis (3.000 kWh/ano) era cerca de €104/ano.

Qual é o kWh mais barato em Portugal em dezembro 2025?

O kWh mais barato em Portugal é oferecido pela Endesa com tarifa Digital a €0,1297/kWh, seguido pela EDP Comercial (DD+FE) a €0,1340/kWh e Goldenergy Monoelétrico ACP a €0,1492/kWh, sendo estes os preços mais competitivos no mercado livre.

Quanto pagam pelo excedente de energia solar?

O excedente solar é compensado a preço de mercado, geralmente entre €0,05-€0,07417/kWh (valor OMIE junho 2025). Uma UPAC com 100 kWh/mês de excedente pode render entre €60-€89 anuais. A compensação é feita automaticamente como crédito na fatura de eletricidade.

Quantos kWh produz um painel solar de 550W?

Um painel de 550W produz aproximadamente 2,75 kWh/dia (com 5 horas de insolação) ou cerca de 82,5 kWh/mês. Anualmente, pode gerar aproximadamente 990-1.000 kWh em Portugal, com variações conforme a irradiação solar local.

Qual é o tempo de amortização de uma instalação solar em Portugal?

O período de retorno do investimento (payback) varia entre 5-10 anos. Por exemplo, um investimento de €5.000 com poupança média de €700/ano amortiza-se em aproximadamente 7 anos, considerando a redução de 7% nas faturas de 2025 e potenciais incentivos governamentais.

Quais são os requisitos legais para instalar painéis solares em Portugal?

Instalações até 350W: sem necessidade de registo formal. Entre 350W-30kW: registo obrigatório na DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia) e comunicação prévia. Acima de 30kW: licença de exploração necessária. Todos os sistemas acima de 200W devem ser registados na DGEG para autoconsumo.

Onde se devem instalar painéis solares: telhado ou solo?

O telhado é a opção preferida em Portugal, com orientação sul e inclinação de 30-40° para máxima eficiência. O solo é alternativa viável se tiver espaço disponível e boa exposição solar, garantindo 2 m² mínimo por painel para evitar sombras de edifícios ou árvores.

Qual é a potência ideal para uma casa de consumo médio?

Para consumo médio de 3.500-5.000 kWh/ano, a potência ideal é de 3-5 kWp (8-12 painéis de 400-550W), que cobre aproximadamente 70% do consumo anual. Esta configuração oferece melhor relação custo-benefício com payback de 7-8 anos.

Qual é a melhor marca de painéis solares para Portugal?

As melhores marcas para Portugal em 2025 incluem Aiko Solar (maior eficiência), LONGi Solar, JA Solar, Canadian Solar e Jinko Solar, todas com certificações internacionais PVEL e RETC garantindo durabilidade, confiabilidade e estabilidade financeira a longo prazo.

Como posso vender o excedente de energia solar à rede?

Após registar a UPAC na DGEG (para sistemas acima de 350W), solicitar substituição do contador à E-Redes, e abrir atividade nas Finanças (CAE 35123 desde janeiro 2025), assina contrato com comercializadora. Recebe compensação semestral via IBAN. Beneficia de isenção de IRS até €1.000/ano e isenção IVA até €14.500/ano.