A má notícia primeiro: a taxa de IVA reduzida de 6% para a compra e instalação de painéis solares terminou a 30 de junho de 2025. Desde então, qualquer projeto de autoconsumo voltou a ser tributado à taxa normal de 23%. Esta alteração representa um aumento direto e significativo no custo inicial do seu investimento. A questão que se coloca, e que provavelmente o trouxe aqui, é se, mesmo sem este incentivo fiscal, continua a fazer sentido financeiro apostar na energia solar para a sua casa.
A resposta curta é sim, mas com novas regras de jogo. O aumento do IVA encurta a margem para erros de dimensionamento e torna a escolha do equipamento certo ainda mais crítica. Com os preços da eletricidade a rondar os 0,22-0,24 €/kWh, a poupança gerada continua a ser muito atrativa, mas o tempo de retorno do investimento alongou-se inevitavelmente. Agora, mais do que nunca, é preciso fazer contas com precisão.
O que significa o regresso aos 23% de IVA na sua carteira?
Vamos diretos aos números. A diferença entre uma taxa de 6% e 23% não é trivial. Na prática, representa uma subida de aproximadamente 14% no preço final que você paga pela sua instalação completa (equipamento e mão de obra). Para um sistema residencial típico, que custaria cerca de 4.000 €, este aumento traduz-se em mais 560 € a sair do seu bolso. Numa instalação maior, de 5.000 €, a diferença sobe para perto de 850 €.
Este custo adicional impacta diretamente o indicador mais importante para qualquer família: o tempo de retorno do investimento. Se antes, com o IVA a 6%, muitos sistemas se pagavam em 4 a 6 anos, agora a expectativa realista aponta para um período entre 5 e 8 anos. Não é uma mudança que inviabilize o projeto, mas exige um planeamento mais cuidado. A escolha de um painel ligeiramente mais barato ou o dimensionamento exato do sistema para o seu perfil de consumo ganham um peso decisivo.
Quatro painéis que dominam o mercado português em 2025
O mercado está inundado de opções, mas algumas marcas destacam-se consistentemente pela sua fiabilidade, desempenho e presença em Portugal. Fabricantes como a JA Solar, LONGi e Trina são repetidamente classificados como "Top Performers" em testes de durabilidade independentes (como os da Kiwa PVEL), o que lhes confere um selo de confiança. A estes junta-se a AIKO, uma marca que aposta na máxima eficiência. Analisemos quatro modelos representativos que cobrem diferentes necessidades e orçamentos.
| Modelo | Potência | Eficiência | Preço/Painel (IVA 23%) | Custo Sistema 8 Painéis* | Tempo de Retorno Estimado |
|---|---|---|---|---|---|
| JA Solar 415W | 415 W | ~21,3% | ~91 € | ~3.700 € | 5-6 anos |
| LONGi Hi-MO X6 610W | 610 W | ~23,0% | ~126 € | ~5.400 € | 5-6 anos |
| Trina Vertex S+ 440W | 440 W | ~22,3% | ~153 € | ~3.900 € | 5.5-6.5 anos |
| AIKO 445W Full Black | 445 W | ~23,6% | ~221 € | ~4.200 € | 6-7 anos |
*Custo estimado inclui painéis, inversor, estrutura e instalação, com base num custo médio de 1,1 €/W. Este valor pode variar significativamente com o instalador.
O que estes dados nos dizem? A JA Solar continua a ser a escolha de eleição para quem procura o retorno mais rápido, oferecendo um excelente equilíbrio custo-benefício. A LONGi, com os seus painéis de maior potência, é ideal para quem tem menos espaço no telhado e quer maximizar a produção. A Trina, com o seu modelo de vidro duplo, é uma aposta na robustez e durabilidade, especialmente em zonas com condições climatéricas mais agressivas. E a AIKO? É a opção premium. Paga-se mais pela estética "full black" e pela eficiência de topo, mas o retorno económico não é necessariamente mais rápido. É uma escolha para quem quer a melhor tecnologia, não o melhor negócio.
Amortizar o investimento: os números que realmente importam
Ter os painéis no telhado é apenas metade da equação. A verdadeira poupança vem da forma como usa a energia que eles produzem. O segredo está em maximizar o autoconsumo, ou seja, consumir a eletricidade no momento em que ela é gerada. Sem uma bateria, uma família típica consegue autoconsumir entre 30% a 40% da produção. O resto é injetado na rede e vendido a um preço irrisório, que raramente ultrapassa os 0,05 €/kWh, enquanto você paga mais de 0,22 €/kWh pela energia que compra à noite.
É aqui que a estratégia se torna fundamental. Programar máquinas de lavar, termoacumuladores e outros equipamentos de alto consumo para funcionarem durante as horas de sol pode elevar a taxa de autoconsumo para 50% ou 60%. A adição de uma bateria de armazenamento pode levar essa taxa para uns impressionantes 80-90%, mas adiciona um custo significativo ao sistema (entre 800 a 1.500 € para uma bateria de pequena capacidade), o que, por sua vez, aumenta o tempo de amortização. A decisão de incluir uma bateria depende do seu perfil de consumo noturno e de quanto valoriza a independência energética.
A burocracia simplificou-se, mas não desapareceu
Felizmente, os dias de licenciamentos complexos para pequenas instalações domésticas já lá vão. O enquadramento legal atual, definido pelo Decreto-Lei 15/2022, é bastante direto para a maioria das famílias. Se a sua instalação tiver uma potência até 30 kW, o processo resume-se a uma "Comunicação Prévia" no portal SERUP da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Na maioria dos casos, o seu instalador certificado tratará deste registo por si.
Para sistemas muito pequenos, de varanda (tipicamente até 700W e sem injeção na rede), a vida é ainda mais simples: não é necessário qualquer registo ou comunicação. Contudo, atenção a alguns pormenores. Se vive num condomínio, a instalação em áreas comuns (como o telhado do prédio) exige, por norma, aprovação da assembleia de condóminos. Se o seu imóvel estiver localizado numa zona histórica ou área protegida, podem existir restrições urbanísticas que deve verificar junto da sua câmara municipal antes de avançar.
A decisão final: vale a pena o investimento sem o IVA reduzido?
Apesar do fim do IVA a 6%, a resposta continua a ser afirmativa. A tecnologia dos painéis solares amadureceu, os preços dos equipamentos estabilizaram a um nível competitivo e, mais importante, o custo da eletricidade da rede pública continua a subir. O investimento inicial é mais elevado, sim, mas a poupança mensal na fatura da luz é real e imediata. Um sistema de 3.3 kWp bem orientado em Lisboa pode gerar uma poupança anual na ordem dos 700 €.
O regresso do IVA a 23% não matou o autoconsumo solar em Portugal. Apenas o tornou um exercício de maior rigor. Exige que o consumidor faça o trabalho de casa: peça vários orçamentos, questione os instaladores sobre o equipamento proposto, analise os seus próprios hábitos de consumo e escolha uma solução dimensionada para a sua realidade, não para as promessas do marketing. A independência energética tem um preço, mas a longo prazo, continua a ser um dos investimentos mais inteligentes que pode fazer pela sua casa e pela sua carteira.
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