Painéis Solares: O Fim do IVA a 6% e o Guia para 2025

A taxa de IVA reduzida para painéis solares acabou. O seu investimento solar agora custa mais, mas com os preços da eletricidade em alta, a questão não é *se* compensa, mas *como* fazer compensar. Analisamos os números.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

A má notícia primeiro: a taxa de IVA reduzida de 6% para a compra e instalação de painéis solares terminou a 30 de junho de 2025. Desde então, qualquer projeto de autoconsumo voltou a ser tributado à taxa normal de 23%. Esta alteração representa um aumento direto e significativo no custo inicial do seu investimento. A questão que se coloca, e que provavelmente o trouxe aqui, é se, mesmo sem este incentivo fiscal, continua a fazer sentido financeiro apostar na energia solar para a sua casa.

A resposta curta é sim, mas com novas regras de jogo. O aumento do IVA encurta a margem para erros de dimensionamento e torna a escolha do equipamento certo ainda mais crítica. Com os preços da eletricidade a rondar os 0,22-0,24 €/kWh, a poupança gerada continua a ser muito atrativa, mas o tempo de retorno do investimento alongou-se inevitavelmente. Agora, mais do que nunca, é preciso fazer contas com precisão.

O que significa o regresso aos 23% de IVA na sua carteira?

Vamos diretos aos números. A diferença entre uma taxa de 6% e 23% não é trivial. Na prática, representa uma subida de aproximadamente 14% no preço final que você paga pela sua instalação completa (equipamento e mão de obra). Para um sistema residencial típico, que custaria cerca de 4.000 €, este aumento traduz-se em mais 560 € a sair do seu bolso. Numa instalação maior, de 5.000 €, a diferença sobe para perto de 850 €.

Este custo adicional impacta diretamente o indicador mais importante para qualquer família: o tempo de retorno do investimento. Se antes, com o IVA a 6%, muitos sistemas se pagavam em 4 a 6 anos, agora a expectativa realista aponta para um período entre 5 e 8 anos. Não é uma mudança que inviabilize o projeto, mas exige um planeamento mais cuidado. A escolha de um painel ligeiramente mais barato ou o dimensionamento exato do sistema para o seu perfil de consumo ganham um peso decisivo.

Quatro painéis que dominam o mercado português em 2025

O mercado está inundado de opções, mas algumas marcas destacam-se consistentemente pela sua fiabilidade, desempenho e presença em Portugal. Fabricantes como a JA Solar, LONGi e Trina são repetidamente classificados como "Top Performers" em testes de durabilidade independentes (como os da Kiwa PVEL), o que lhes confere um selo de confiança. A estes junta-se a AIKO, uma marca que aposta na máxima eficiência. Analisemos quatro modelos representativos que cobrem diferentes necessidades e orçamentos.

Modelo Potência Eficiência Preço/Painel (IVA 23%) Custo Sistema 8 Painéis* Tempo de Retorno Estimado
JA Solar 415W 415 W ~21,3% ~91 € ~3.700 € 5-6 anos
LONGi Hi-MO X6 610W 610 W ~23,0% ~126 € ~5.400 € 5-6 anos
Trina Vertex S+ 440W 440 W ~22,3% ~153 € ~3.900 € 5.5-6.5 anos
AIKO 445W Full Black 445 W ~23,6% ~221 € ~4.200 € 6-7 anos

*Custo estimado inclui painéis, inversor, estrutura e instalação, com base num custo médio de 1,1 €/W. Este valor pode variar significativamente com o instalador.

O que estes dados nos dizem? A JA Solar continua a ser a escolha de eleição para quem procura o retorno mais rápido, oferecendo um excelente equilíbrio custo-benefício. A LONGi, com os seus painéis de maior potência, é ideal para quem tem menos espaço no telhado e quer maximizar a produção. A Trina, com o seu modelo de vidro duplo, é uma aposta na robustez e durabilidade, especialmente em zonas com condições climatéricas mais agressivas. E a AIKO? É a opção premium. Paga-se mais pela estética "full black" e pela eficiência de topo, mas o retorno económico não é necessariamente mais rápido. É uma escolha para quem quer a melhor tecnologia, não o melhor negócio.

Amortizar o investimento: os números que realmente importam

Ter os painéis no telhado é apenas metade da equação. A verdadeira poupança vem da forma como usa a energia que eles produzem. O segredo está em maximizar o autoconsumo, ou seja, consumir a eletricidade no momento em que ela é gerada. Sem uma bateria, uma família típica consegue autoconsumir entre 30% a 40% da produção. O resto é injetado na rede e vendido a um preço irrisório, que raramente ultrapassa os 0,05 €/kWh, enquanto você paga mais de 0,22 €/kWh pela energia que compra à noite.

É aqui que a estratégia se torna fundamental. Programar máquinas de lavar, termoacumuladores e outros equipamentos de alto consumo para funcionarem durante as horas de sol pode elevar a taxa de autoconsumo para 50% ou 60%. A adição de uma bateria de armazenamento pode levar essa taxa para uns impressionantes 80-90%, mas adiciona um custo significativo ao sistema (entre 800 a 1.500 € para uma bateria de pequena capacidade), o que, por sua vez, aumenta o tempo de amortização. A decisão de incluir uma bateria depende do seu perfil de consumo noturno e de quanto valoriza a independência energética.

A burocracia simplificou-se, mas não desapareceu

Felizmente, os dias de licenciamentos complexos para pequenas instalações domésticas já lá vão. O enquadramento legal atual, definido pelo Decreto-Lei 15/2022, é bastante direto para a maioria das famílias. Se a sua instalação tiver uma potência até 30 kW, o processo resume-se a uma "Comunicação Prévia" no portal SERUP da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Na maioria dos casos, o seu instalador certificado tratará deste registo por si.

Para sistemas muito pequenos, de varanda (tipicamente até 700W e sem injeção na rede), a vida é ainda mais simples: não é necessário qualquer registo ou comunicação. Contudo, atenção a alguns pormenores. Se vive num condomínio, a instalação em áreas comuns (como o telhado do prédio) exige, por norma, aprovação da assembleia de condóminos. Se o seu imóvel estiver localizado numa zona histórica ou área protegida, podem existir restrições urbanísticas que deve verificar junto da sua câmara municipal antes de avançar.

A decisão final: vale a pena o investimento sem o IVA reduzido?

Apesar do fim do IVA a 6%, a resposta continua a ser afirmativa. A tecnologia dos painéis solares amadureceu, os preços dos equipamentos estabilizaram a um nível competitivo e, mais importante, o custo da eletricidade da rede pública continua a subir. O investimento inicial é mais elevado, sim, mas a poupança mensal na fatura da luz é real e imediata. Um sistema de 3.3 kWp bem orientado em Lisboa pode gerar uma poupança anual na ordem dos 700 €.

O regresso do IVA a 23% não matou o autoconsumo solar em Portugal. Apenas o tornou um exercício de maior rigor. Exige que o consumidor faça o trabalho de casa: peça vários orçamentos, questione os instaladores sobre o equipamento proposto, analise os seus próprios hábitos de consumo e escolha uma solução dimensionada para a sua realidade, não para as promessas do marketing. A independência energética tem um preço, mas a longo prazo, continua a ser um dos investimentos mais inteligentes que pode fazer pela sua casa e pela sua carteira.

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Perguntas Frequentes

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Em dezembro de 2025, a taxa de IVA aplicável é de 23%, após o fim da redução para 6% em julho de 2025. Para calcular o custo atual, multiplique o valor base do equipamento e instalação por 1,23 (ex: 1000€ + 230€ IVA = 1230€).

Qual é o IVA dos painéis fotovoltaicos?

Atualmente, a taxa é de 23% (taxa normal), tendo a taxa reduzida de 6% terminado a 30 de junho de 2025. Apenas instalações faturadas e pagas antes dessa data beneficiaram da redução fiscal.

Quantas placas solares para gerar 1000 kWh?

Para gerar 1000 kWh anuais em Portugal, são necessários cerca de 2 painéis de 550W. Um painel de 550W produz, em média, entre 750 a 850 kWh por ano, dependendo da localização e orientação.

Qual é o valor de desconto oferecido numa solução de energia solar ao abrigo da parceria EDP?

A parceria EDP (Plano Energia Solar) oferece tipicamente um desconto de 10% no consumo de eletricidade (durante 12 a 24 meses) e descontos diretos no equipamento que podem chegar aos 100€ se incluir bateria (campanhas Packs EDP).

Qual é a diferença entre painel solar e painel fotovoltaico?

O painel solar térmico aquece água (AQS) utilizando o calor do sol, enquanto o painel fotovoltaico converte a luz solar diretamente em eletricidade para alimentar eletrodomésticos e injetar na rede.

Quantos painéis fotovoltaicos preciso para uma residência?

Uma residência média (consumo de 3000-4000 kWh/ano) necessita geralmente de 4 a 6 painéis de 550W (sistema de 2 a 3 kWp) para cobrir uma parte significativa do consumo diurno.

Quanto paga a EDP por energia fotovoltaica?

O valor pago pelo excedente varia, situando-se geralmente entre 0,04€ a 0,06€ por kWh em tarifas fixas, ou seguindo o preço de mercado grossista (OMIE) menos uma margem de gestão nas tarifas indexadas.

Qual é o kWh mais barato em Portugal?

No final de 2025, as tarifas mais competitivas (como Endesa Digital ou Iberdrola) apresentam valores a rondar os 0,1297€ a 0,1357€ por kWh, embora varie consoante as campanhas e indexação ao mercado.

Quantos kWh produz um painel solar de 550W?

Um painel de 550W produz em média cerca de 2,2 a 3,0 kWh por dia no verão e 1,0 a 1,5 kWh por dia no inverno, totalizando aproximadamente 800 a 900 kWh por ano em Portugal.

Quanto pagam pelo excedente de energia solar?

O mercado paga atualmente entre 0,04€/kWh e 0,08€/kWh na venda de excedente, dependendo se escolhe uma tarifa fixa (menor risco) ou indexada ao preço horário do mercado ibérico (maior volatilidade).

Ainda existem subsídios do Fundo Ambiental para 2025?

Sim, o Fundo Ambiental mantém programas como o 'Edifícios Mais Sustentáveis', reembolsando até 85% do valor (com limites máximos por tipologia), mas exige submissão de faturas e está sujeito a dotação orçamental limitada.

É obrigatório registar os painéis solares?

Sim, qualquer instalação de autoconsumo (UPAC) deve ser comunicada à DGEG. Sistemas até 30 kW estão isentos de taxas e inspeção prévia, bastando a mera comunicação prévia (MCP).

Qual o tempo médio de amortização de um sistema em 2025?

Com o IVA a 23% e os custos atuais de eletricidade, o retorno do investimento situa-se entre 4 a 6 anos para sistemas sem bateria, dependendo da taxa de autoconsumo (quanto mais consumir do que produz, mais rápido paga).

Vale a pena instalar baterias em 2025?

As baterias aumentam a independência energética mas têm um custo elevado e retorno mais lento (8-10 anos). Só compensam para consumos noturnos elevados ou se houver apoios estatais específicos que reduzam o investimento inicial.

Posso instalar painéis num condomínio/prédio?

Sim, é permitido instalar em telhados comuns ou varandas, desde que aprovado em assembleia de condóminos (para áreas comuns) ou que não altere a estética/segurança (para varandas privadas), seguindo o regime de propriedade horizontal.

Qual a melhor orientação solar em Portugal?

A orientação ideal é a Sul, com uma inclinação de cerca de 30-35 graus. Instalações a Este ou Oeste perdem cerca de 15-20% de produção total, mas podem distribuir melhor a energia durante a manhã ou tarde.

O que é um contador inteligente e é necessário?

O contador inteligente (Smart Meter) é essencial para vender excedente e contar separadamente a energia consumida e injetada. A E-Redes substitui gratuitamente o contador antigo após o registo da UPAC na DGEG.

Qual a vida útil dos painéis solares atuais?

Os painéis modernos têm uma vida útil superior a 25-30 anos, mantendo normalmente mais de 80% da sua eficiência original ao fim desse período.

É necessário limpar os painéis solares?

Sim, recomenda-se uma limpeza anual ou semestral apenas com água e esponja suave para remover poeiras e detritos, pois a sujidade pode reduzir a eficiência da produção em 5% a 15%.

O que acontece se a rede elétrica falhar?

Por razões de segurança, os inversores de rede desligam-se automaticamente (anti-ilhamento), cortando a energia da casa. Para ter luz durante falhas, necessita de um sistema híbrido com baterias e função de 'backup'.