Registar uma Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) no portal da DGEG deixou de ser o bicho-de-sete-cabeças que muitos imaginam, mas ignorar os detalhes certos pode transformar a poupança sonhada num pesadelo burocrático. A verdade é que esta plataforma online é a porta de entrada obrigatória para legalizar a grande maioria das instalações de painéis solares em Portugal. Sem o registo correto, não pode ligar-se à rede de forma segura nem sonhar em vender o excedente de energia que o seu telhado produz. É a diferença entre um investimento inteligente e uma dor de cabeça cara.
Muitos proprietários pensam no portal da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) apenas como mais um passo burocrático. Na realidade, é uma peça central de segurança e organização do sistema elétrico nacional. Pense nele como o "cartão de cidadão" da sua instalação solar. É através deste registo que a E-REDES (a distribuidora) sabe que existe um novo ponto de produção na sua zona, garantindo a estabilidade da rede e a segurança dos técnicos que nela trabalham. Além disso, é o número de registo da sua UPAC que lhe permitirá, se assim o entender, estabelecer um contrato com um comercializador para vender a energia que não consome. Sem ele, a sua instalação está, para todos os efeitos, "invisível" para o sistema.
A Burocracia Descomplicada: O Que a Lei Exige (e o Que Dispensa) em 2025
A legislação portuguesa, nomeadamente o Decreto-Lei 15/2022, veio simplificar processos, mas criou escalões com obrigações distintas que geram confusão. É fundamental perceber em que categoria se encaixa a sua casa para não fazer mais (ou menos) do que o necessário. A potência do seu inversor – o cérebro do sistema que converte a energia dos painéis – é o fator decisivo.
Para sistemas muito pequenos, a lei é sua amiga. Instalações com uma potência total até 350W, tipicamente os kits "plug-and-play" de varanda, podem ser instaladas por si, sem necessidade de um eletricista certificado. Se o sistema não injetar qualquer energia na rede (usando um inversor com função "zero-injection"), não necessita de qualquer registo na DGEG. Contudo, a partir do momento em que a sua instalação tem capacidade para injetar excedente, mesmo que seja de apenas 1 Watt, o registo no portal da DGEG torna-se obrigatório, independentemente da potência.
O cenário mais comum para moradias situa-se na faixa entre 350W e 30kW. Aqui, a regra é a Comunicação Prévia de Exploração através do portal SERUP da DGEG. Embora não seja um licenciamento complexo, este registo é mandatório. Exige a intervenção de um técnico responsável (eletricista ou engenheiro) que assegure a conformidade da instalação. É este profissional que, na maioria dos casos, trata do processo no portal. Para potências superiores a 30kW, o processo já envolve um pedido de licença de produção e exploração, algo mais comum em contextos comerciais ou industriais.
3 kWp: A Medida Ideal para a Maioria das Casas Portuguesas?
Quando se fala em autoconsumo residencial, uma potência de 3 quilowatt-pico (kWp) surge frequentemente como a referência. Porquê? Porque representa um equilíbrio notável entre o custo de investimento, a área de telhado ocupada (cerca de 15 m² com 7 ou 8 painéis modernos) e a capacidade de cobrir uma parte significativa do consumo de uma família média portuguesa. Em 2025, um sistema "chave-na-mão" desta dimensão, com equipamento de qualidade e instalação certificada, custa entre 3.000€ e 4.500€, já com IVA.
Mas quanto se poupa na realidade? A resposta depende drasticamente da sua localização e dos seus hábitos de consumo. Um sistema de 3 kWp no Algarve pode gerar perto de 5.000 kWh por ano, enquanto no Porto poderá rondar os 4.000 kWh. O fator mais crítico, no entanto, é a taxa de autoconsumo – a percentagem de energia que você consome no momento em que é produzida. Se a sua casa tem consumos durante o dia (teletrabalho, bomba de calor, piscina), o seu retorno será muito mais rápido. Se o grosso do consumo é noturno, a poupança direta será menor, a não ser que invista numa bateria de armazenamento.
Para ilustrar o impacto, vejamos três cenários para um sistema de 3 kWp, considerando um custo médio de eletricidade de 0,22€/kWh e um preço de venda do excedente de 0,07€/kWh.
| Cenário (Sistema 3 kWp / Investimento 3.800€) | Produção Anual | Taxa de Autoconsumo | Poupança Anual Estimada | Retorno do Investimento (Anos) |
|---|---|---|---|---|
| Conservador (Pouco consumo diurno, Norte) | 4.000 kWh | 35% (1.400 kWh) | ~490€ | ~7.7 anos |
| Médio (Consumo diurno moderado, Centro/Sul) | 4.500 kWh | 50% (2.250 kWh) | ~650€ | ~5.8 anos |
| Otimista (Consumo diurno elevado/bateria, Sul) | 4.800 kWh | 70% (3.360 kWh) | ~840€ | ~4.5 anos |
Vender o Excedente à Rede: A Miragem do Lucro Fácil
A ideia de ver o contador a "andar para trás" e receber dinheiro da sua companhia elétrica é, sem dúvida, atraente. A realidade, contudo, é bem menos dourada. A venda do excedente de energia solar é uma opção, mas não espere que pague o seu investimento rapidamente. Os comercializadores compram a sua energia ao preço do mercado grossista ibérico (OMIE), que é dramaticamente inferior ao preço a que eles lha vendem. Em 2025, os valores pagos aos pequenos produtores raramente ultrapassam os 0,05€ a 0,10€ por kWh, enquanto você paga mais do dobro por cada kWh que compra da rede.
Esta disparidade económica torna uma coisa muito clara: a maior poupança vem da energia que você deixa de comprar, não da que vende. É por isso que a estratégia mais inteligente passa por maximizar o autoconsumo. Como? Programando máquinas de lavar, termoacumuladores ou o carregamento do carro elétrico para as horas de maior produção solar. A aquisição de uma bateria de armazenamento, embora ainda represente um custo adicional significativo (entre 800€ a 1.500€ para capacidades modestas), está a tornar-se uma opção cada vez mais lógica, permitindo guardar a energia solar diurna para consumir à noite, elevando a taxa de autoconsumo para valores acima dos 70%.
Erros Comuns no Registo e Como Evitá-los
O processo no portal DGEG é maioritariamente digital e tratado pelo instalador, mas a responsabilidade final é sua. Conhecer os erros mais frequentes pode poupar-lhe meses de atraso. Um dos principais problemas é a discrepância entre os dados submetidos e a realidade. A potência registada deve ser a do inversor, não a soma da potência dos painéis. Outro ponto crítico é a comunicação com a E-REDES. Após o registo na DGEG, é gerado um código que o seu instalador deve usar para solicitar a inspeção ou a substituição do contador por um modelo bidirecional, se necessário. Este passo por vezes falha, deixando a sua instalação num limbo legal.
Outra armadilha comum diz respeito a condomínios e arrendamentos. Se vive num apartamento, precisa da aprovação da assembleia de condóminos para instalar painéis nas áreas comuns, como o telhado. Se é inquilino, necessita de uma autorização por escrito do proprietário do imóvel. Ignorar estes requisitos pode levar à ordem de remoção da instalação. Por fim, não descure o seguro. Para instalações com injeção na rede, é obrigatório um seguro de responsabilidade civil, um custo anual baixo (50€-150€) que o protege contra eventuais danos causados a terceiros.
O portal da DGEG não é um obstáculo, mas sim uma ferramenta de formalização. Um sistema solar é um investimento para mais de 25 anos; garantir que começa com o pé direito, totalmente legalizado e otimizado para a sua realidade, é o passo mais importante para assegurar que a sua fatura de eletricidade desce tão rápido quanto o sol sobe.
🚀 Pronto para o seu Sistema Solar de Varanda?
Calcule agora a rentabilidade para a sua localização – gratuito e em apenas 3 minutos!
Para o Cálculo →