A chuva intensa que caiu sobre Lisboa na semana passada não danificou um único painel solar com classificação IP67, mas fez estragos em vários modelos IP65 mais antigos. Esta pequena sigla, 'IP67', é a diferença entre um investimento seguro para 25 anos e uma dor de cabeça que pode custar centenas de euros em reparações. Não se trata apenas de resistência à água; é uma garantia de que o seu sistema fotovoltaico sobrevive ao clima imprevisível de Portugal, desde as poeiras do Saara no Algarve até à humidade constante do Minho. Compreender o que isto significa na prática é o primeiro passo para não gastar dinheiro desnecessariamente.
Descodificar o "IP67": A sigla que protege o seu investimento
Vamos diretos ao assunto. A sigla IP significa "Ingress Protection" ou Proteção de Entrada. É uma norma internacional que classifica a resistência de um equipamento contra a entrada de corpos estranhos, como poeira e água. O primeiro dígito, o '6', é o mais alto possível e indica que o painel é totalmente estanque a poeiras. Isto é crucial em Portugal, especialmente durante o verão, quando as poeiras do norte de África cobrem frequentemente o país. Um painel mal selado pode acumular partículas no interior, o que cria pontos quentes (hotspots) e degrada as células fotovoltaicas ao longo do tempo, reduzindo a sua produção e vida útil.
O segundo dígito é onde a magia acontece. O '7' garante que o painel pode ser submerso temporariamente em água até 1 metro de profundidade por 30 minutos sem sofrer qualquer dano. Agora, você pode perguntar: "Mas o meu painel não vai ficar debaixo de água!". E tem razão. No entanto, esta classificação não serve para mergulho, mas sim como um teste de stress extremo. Se um painel resiste a essa pressão, significa que aguentará as chuvas torrenciais, a acumulação de água num telhado plano mal drenado ou mesmo a neve que por vezes cobre as serras no interior do país. Um painel com classificação inferior, como o IP65, apenas protege contra jatos de água de baixa pressão. É bom, mas não é uma fortaleza.
Os campeões de 2025: Que painéis IP67 oferecem mais por cada euro?
O mercado está inundado de opções, mas nem todos os painéis IP67 são criados da mesma forma. A eficiência e a tecnologia por trás da célula são tão importantes quanto a sua carcaça. Em 2025, os modelos com tecnologia N-Type, como HJT ou TOPCon, estão a dominar devido à sua menor degradação anual e melhor desempenho com pouca luz ou em dias quentes — uma realidade portuguesa.
Modelos como o Risen 700W HJT Bifacial impressionam não só pela potência, mas pela sua baixíssima taxa de degradação (0,24% ao ano), o que se traduz numa maior produção de energia ao fim de 20 ou 25 anos. Outros, como o Longi Hi-MO X6, focam-se na eficiência pura, atingindo 23,2%, o que significa que precisa de menos área no telhado para a mesma produção. A escolha depende do seu espaço e orçamento, mas a diferença de preço para um painel IP65 de qualidade inferior é hoje marginal, tornando a aposta no IP67 quase sempre a mais inteligente.
Para o ajudar a visualizar as diferenças, compilei uma tabela com alguns dos modelos mais promissores para o mercado residencial em 2025. Note que os preços podem variar ligeiramente dependendo do distribuidor e da quantidade.
| Modelo | Potência (W) | Eficiência | Tecnologia | Preço Médio Unitário (Portugal 2025) | Garantia de Performance |
|---|---|---|---|---|---|
| Risen 700W HJT Bifacial | 700 W | 23,0% | N-Type HJT | 550€ - 610€ | 30 anos |
| Longi Hi-MO X6 HPBC | 600 W | 23,2% | HPBC | 550€ - 600€ | 25 anos |
| Canadian Solar 610W TOPCon | 610 W | 22,6% | N-Type TOPCon | 550€ - 610€ | 30 anos |
| Sunova 585W N-Type | 585 W | 22,4% | N-Type | 480€ - 530€ | 25 anos |
A conta final: Custo real e retorno de um sistema de 4 kWp em Lisboa
Vamos a números concretos. Instalar um sistema de autoconsumo (UPAC) de 4 kWp em Lisboa, usando painéis IP67 de boa qualidade, terá um custo total que ronda os 4.100€ a 4.600€. Este valor inclui os painéis, o inversor, a estrutura, a instalação por um técnico certificado e a papelada. É importante notar que, a partir de 1 de julho de 2025, o IVA sobre estes equipamentos deverá regressar aos 23%, depois de um período a 6%, o que poderá encarecer os novos projetos.
Com a radiação solar de Lisboa, um sistema destes é capaz de produzir entre 5.600 e 6.500 kWh por ano. Para uma família com um consumo anual de 4.000 kWh e um preço médio da eletricidade de 0,23€/kWh, a poupança anual pode chegar aos 700€-850€. Isto assume uma taxa de autoconsumo de 35% — a energia que você consome diretamente enquanto os painéis estão a produzir. Sem uma bateria, o excedente é injetado na rede a um preço muito baixo (cerca de 0,04-0,06€/kWh), o que torna o seu aproveitamento pouco rentável.
Fazendo as contas, o retorno do investimento (payback) situa-se entre 5 a 7 anos. Se adicionar uma bateria de armazenamento (+800€ a 1.500€), o investimento inicial sobe, mas a sua taxa de autoconsumo pode disparar para 80% ou mais, encurtando o payback para 4 a 5 anos. Após este período, e considerando que os painéis têm uma vida útil de mais de 25 anos, a eletricidade que produzir é essencialmente gratuita.
Navegar na burocracia portuguesa: Licenças e regras para 2025
A parte da burocracia assusta muita gente, mas foi significativamente simplificada. Para uma instalação residencial típica como a de 4 kWp, o processo está ao abrigo do regime de Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC). Desde que a potência seja inferior a 30 kW, não precisa de uma licença de produção complexa. O processo resume-se a uma Mera Comunicação Prévia (MCP) feita online na plataforma SERUP da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). O seu instalador certificado trata disto por si.
A lei é clara: instalações até 350W podem ser feitas por si, mas acima disso é obrigatório contratar um técnico certificado. Se vive num condomínio, geralmente precisa da aprovação da assembleia de condóminos, embora se espere que a legislação em 2025 venha a facilitar este processo, removendo o poder de veto. Se é inquilino, precisa de uma autorização por escrito do proprietário do imóvel. O processo, desde a comunicação à DGEG até à ligação final, demora geralmente poucas semanas, não meses.
IP67 é sempre a resposta? A honestidade que os vendedores omitem
Depois de tudo isto, a tentação é dizer que o IP67 é a única escolha lógica. Mas seria uma análise incompleta. A verdade é que, em certas situações, pode ser um exagero. Se a sua casa fica numa zona interior e seca, como no Alentejo, e tem um telhado com uma inclinação acentuada que impede qualquer acumulação de água, um painel IP65 de alta qualidade de uma marca reputada pode ser perfeitamente suficiente e permitir-lhe poupar algumas dezenas de euros.
No entanto, a classificação IP67 torna-se absolutamente essencial em três cenários: se vive numa zona costeira, onde a névoa salina é agressiva (procure também a certificação IEC 61701 de resistência à corrosão salina); se está numa região de montanha com nevões ocasionais; ou se tem um telhado plano ou com pouca inclinação. Nestes casos, o custo adicional de um painel IP67 não é uma despesa, é um seguro. A diferença de preço entre um bom IP65 e um bom IP67 é hoje tão pequena que, para a maioria dos portugueses, a paz de espírito que a robustez extra oferece compensa largamente o investimento marginal.
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