Ligar um painel solar a uma tomada de casa parece demasiado simples para ser verdade, mas é exatamente essa a promessa dos kits de varanda que estão a invadir o mercado. A ideia de abater uma parte significativa da fatura da luz, que teima em não dar tréguas, é aliciante. Contudo, entre as promessas de "instale você mesmo em 20 minutos" e a realidade da legislação portuguesa, dos custos e da produção efetiva, existe um caminho que precisa de ser bem iluminado. Esqueça o marketing. Vamos aos factos e aos números que interessam para o seu apartamento em 2025.
A tecnologia é surpreendentemente direta. Um ou dois painéis fotovoltaicos captam a luz solar e geram corrente contínua (DC). Essa energia passa por um pequeno aparelho chamado microinversor, que a converte em corrente alternada (AC) — a mesma que a sua casa utiliza. O passo final é ligar o cabo do microinversor a uma tomada normal. A partir desse momento, os aparelhos que estiverem a consumir energia em casa (frigorífico, router, stand-by da TV) vão usar primeiro a eletricidade solar gratuita. O que faltar, vem da rede. Simples na teoria, mas o diabo, como sempre, está nos detalhes.
Robinsun, Anker ou EcoFlow: Qual o Kit Ideal para o Seu Apartamento?
O mercado está a aquecer e três nomes destacam-se pela sua proposta de valor em Portugal. Não existe um "melhor" para todos; a escolha depende do seu espaço, orçamento e objetivo. O Robinsun Performance 400 é a porta de entrada. Com um painel de 410-455W e um preço que ronda os 450€, é ideal para varandas mais pequenas. A sua grande vantagem é usar painéis bifaciais, que conseguem captar alguma energia extra da luz refletida na parede do prédio ou no chão da varanda, otimizando um espaço reduzido.
Subindo um degrau, encontramos o Anker SOLIX RS40P 800W. Este kit com dois painéis de 410W cada é, para muitos, o ponto de equilíbrio perfeito. Com um custo a rondar os 900€ a 1.000€, duplica a capacidade de produção. É a escolha lógica para quem tem uma varanda com boa exposição solar e quer maximizar a poupança. A Anker aposta num design elegante totalmente preto e numa eficiência ligeiramente superior, o que pode fazer a diferença ao longo de 25 anos de vida útil.
Depois, há o EcoFlow STREAM Pro. Este sistema também oferece 800W de painéis, mas o seu grande diferenciador é a inclusão de uma bateria de 1.92 kWh. Por que é que isto importa? Porque a maior parte da produção solar acontece a meio do dia, quando muitas vezes não estamos em casa a consumir. A bateria armazena esse excesso de energia para ser usado ao final da tarde e à noite, aumentando drasticamente a taxa de autoconsumo. A desvantagem é o preço, que sobe para os 1.200€ ou mais, e um tempo de retorno do investimento consideravelmente mais longo.
| Modelo | Potência (W) | Eficiência (%) | Preço Médio 2025 (€) | Custo por Watt (€) | Garantia (Painéis/Inversor) |
|---|---|---|---|---|---|
| Robinsun Performance 400 | 410-455 W | 23,3% | 450 - 680 | ~1,10 | 30 anos / 12 anos |
| Anker SOLIX RS40P 800W | 820 W | 23,0% | 810 - 1.050 | ~1,13 | 25 anos / 10 anos |
| EcoFlow STREAM Pro | 800 W + 1.92 kWh Bateria | 23-25% (painéis) | ~1.200 | ~1,50 | 10 anos (sistema) |
Quanto Custa e em Quanto Tempo Se Paga? A Verdade dos Números
Vamos diretos ao que interessa: o dinheiro. A rentabilidade de um sistema destes depende de três fatores principais: a sua localização em Portugal, o preço que paga pela eletricidade e o seu perfil de consumo. Um sistema de 800W no Algarve, com a sua insolação generosa, pode gerar perto de 950 kWh por ano. O mesmo sistema no Porto, com mais dias nublados, talvez não passe dos 650 kWh/ano. Lisboa fica no meio, com uma média de 750-850 kWh/ano.
Considerando um preço médio da eletricidade de 0,24€/kWh em 2025, essa produção traduz-se numa poupança anual entre 156€ (Porto) e 228€ (Algarve). Com um investimento de cerca de 930€ num kit Anker 800W, o retorno do investimento (payback) situa-se entre 4 a 5,5 anos. A partir daí, é lucro. Se optar por um sistema com bateria como o da EcoFlow, a poupança anual será maior porque aproveita mais energia, mas o investimento inicial mais alto pode esticar o payback para 6 a 8 anos. É uma troca entre retorno mais rápido e maior autonomia.
Um alerta importante: o IVA sobre estes equipamentos, que esteve a uma taxa reduzida de 6%, subiu para 23% a 1 de julho de 2025. Esta alteração tem um impacto direto no custo inicial e, consequentemente, no tempo de amortização do investimento. Além disso, não conte com a venda do excedente à rede para acelerar o retorno. Os valores pagos pelas elétricas pela energia que injeta são irrisórios, muitas vezes abaixo de 0,05€/kWh. A estratégia inteligente é sempre consumir 100% do que produz.
A Burocracia Descomplicada: O Que Precisa de Saber Antes de Instalar
Esta é a parte que assusta muitos compradores, mas não tem de ser um bicho-de-sete-cabeças. A legislação portuguesa (Decreto-Lei 15/2022) para Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC) é clara. Se o seu kit tiver até 350W de potência, pode instalar sem qualquer registo ou comunicação. É considerado um pequeno aparelho doméstico.
A maioria dos kits de varanda mais interessantes, no entanto, tem entre 400W e 800W. Nestes casos, a lei exige uma Comunicação Prévia à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Este processo é feito online, na plataforma SERUP, é gratuito para sistemas residenciais e relativamente simples. Terá de fornecer dados sobre a sua morada, a potência dos painéis e do microinversor. Este passo é obrigatório e ignorá-lo pode resultar em multas.
O grande obstáculo para quem vive em apartamentos é, muitas vezes, o condomínio. Se a instalação for feita inteiramente dentro da sua varanda, que é uma fração autónoma, a lei está do seu lado. Apenas precisa de notificar a administração. Contudo, se a instalação afetar a fachada do prédio, a conversa muda. É aqui que o bom senso e uma conversa prévia com os vizinhos podem evitar muitos problemas. Em edifícios localizados em zonas históricas, é fundamental consultar a Câmara Municipal antes de fazer qualquer coisa.
| Potência do Sistema | Procedimento Legal Obrigatório | Registo DGEG | Necessita de Inspetor? |
|---|---|---|---|
| Até 350 W | Nenhum | Não obrigatório | Não |
| 350 W a 700 W | Comunicação Prévia Simples | Obrigatório (online) | Não |
| 700 W a 30 kW | Comunicação Prévia (MCP) | Obrigatório (online) | Sim |
O Que as Marcas Não Dizem: Vento, Vizinhos e a Produção Real
As caixas dos kits solares de varanda mostram imagens idílicas, mas a vida real tem as suas particularidades. A primeira é a segurança. A estrutura de montagem tem de ser robusta. Portugal tem episódios de ventos fortes e o seu painel não pode, em circunstância alguma, tornar-se um projétil. Certifique-se de que o sistema de fixação é adequado para o seu tipo de varanda (grades de metal, parede de betão) e que está certificado para resistir a ventos de, no mínimo, 100 km/h.
Outro ponto que o marketing omite é o impacto das sombras. O seu vizinho de cima tem um estendal? Existe uma árvore ou um prédio em frente que projeta sombra sobre a sua varanda a partir das 15h? Qualquer sombra, mesmo que parcial, pode reduzir drasticamente a produção de energia. Antes de comprar, passe um dia a observar o percurso do sol na sua varanda para ter uma ideia realista das horas de exposição direta. Os números de produção anunciados pelos fabricantes são sempre calculados em condições ideais, que raramente se verificam na prática.
Finalmente, pense no seu consumo. Um kit de 800W produz, num dia de sol, cerca de 4 a 5 kWh. Se o seu consumo base durante o dia (frigorífico, arca, aparelhos em stand-by) for de apenas 300W, estará a injetar o excedente na rede quase de graça. É por isso que, para maximizar a poupança, deve tentar concentrar alguns consumos no período de maior produção solar: ligar a máquina de lavar loiça ou roupa a meio do dia, por exemplo. Sem esta gestão, a sua taxa de autoconsumo pode não passar dos 30-40%, reduzindo a rentabilidade.
Veredito Final: Vale a Pena o Investimento em 2025?
A resposta curta é: sim, para a maioria das pessoas que vivem em apartamentos com uma varanda orientada a sul, este ou oeste. A tecnologia está madura, os preços, apesar da subida do IVA, ainda permitem um retorno do investimento atrativo, e a instalação é cada vez mais simples. É uma das formas mais democráticas de entrar no mundo do autoconsumo, sem as complicações e os custos de uma instalação de telhado.
A escolha do kit certo é fundamental. Para quem tem um orçamento mais apertado ou pouco espaço, um sistema de 400W como o da Robinsun já permite uma poupança interessante e paga-se rapidamente. Para quem procura o máximo de produção e tem uma boa varanda, os 800W do kit da Anker são provavelmente o investimento mais equilibrado. A opção com bateria da EcoFlow só faz sentido para quem tem consumos noturnos elevados ou vive numa zona com falhas de rede, e está disposto a esperar mais tempo pelo retorno financeiro. Independentemente da escolha, um painel solar na varanda deixou de ser um gadget para entusiastas. Em 2025, é uma ferramenta inteligente e pragmática para combater o aumento do custo de vida.
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