Instalar um painel solar que também capta energia pela parte de trás parece uma ideia infalível para maximizar a produção, mas a realidade nos telhados portugueses é bem diferente. A verdade é que, se o seu plano é montar os painéis rentes às telhas escuras e inclinadas, o famoso "ganho bifacial" prometido pelo marketing pode ser tão baixo que não justifica o custo extra. A eficiência desta tecnologia depende totalmente de um fator que quase ninguém menciona: o que está por baixo do painel.
A promessa de um aumento de produção de 5% a 25% é real, mas apenas em condições muito específicas. Um painel bifacial funciona porque a sua parte traseira, em vez de ser opaca, é de vidro ou de um polímero transparente, permitindo que as células fotovoltaicas absorvam a luz refletida do solo ou da superfície abaixo. É aqui que entra o conceito de albedo – a capacidade de uma superfície refletir a luz solar. Neve fresca tem um albedo altíssimo (mais de 80%), mas uma telha cerâmica escura ou uma tela asfáltica tem um albedo péssimo (menos de 15%). Sem uma boa reflexão, a parte de trás do painel simplesmente não tem luz para converter em eletricidade.
Onde é que o Ganho Bifacial se Transforma em Poupança Real?
Então, quando é que este investimento extra faz sentido? A resposta está na forma e no local da instalação. Para a grande maioria das moradias com telhados de quatro águas e telha tradicional, o painel monofacial de alta eficiência continua a ser a escolha mais inteligente e económica. O espaço entre um painel montado de forma coplanar (rente ao telhado) e a própria telha é mínimo, impedindo que a luz chegue sequer à face traseira. Está a pagar por uma tecnologia que, na prática, não vai utilizar.
O cenário muda completamente em instalações com espaço e superfícies refletoras. Pérgolas, coberturas de estacionamento e varandas são candidatos ideais. Nestes casos, a luz solar passa pelo espaço entre os painéis, reflete no chão (idealmente um pavimento de cor clara) e atinge a face traseira, gerando energia extra. Outro cenário perfeito são os telhados planos, onde os painéis são montados em estruturas inclinadas. Se pintar a superfície do telhado com uma tinta branca refletora, o ganho bifacial pode facilmente superar os 10%, o que já encurta o prazo de amortização do sistema.
As instalações no solo, em jardins ou quintais, são onde o painel bifacial realmente brilha. Com a altura e o ângulo corretos sobre uma superfície como gravilha clara ou até mesmo relva bem cuidada, os ganhos são consistentes e significativos ao longo de todo o ano. É nestas situações que o pequeno prémio de preço do painel bifacial se paga a si mesmo em poucos anos.
Melhores Modelos Bifaciais para 2025: Análise ao Detalhe
O mercado de 2025 será dominado por painéis com tecnologia de células N-Type, principalmente TOPCon e HJT. Para si, isto traduz-se em duas vantagens cruciais: uma degradação anual muito mais baixa (perdem menos eficiência com o tempo) e um melhor comportamento com o calor intenso do verão português. Marcas como a JA Solar e a Trina Solar oferecem um excelente equilíbrio entre preço e desempenho para o setor residencial, enquanto a Canadian Solar aposta em painéis de altíssima potência, mais adequados para quem tem espaço.
É importante ter atenção a um pormenor prático: os painéis mais potentes (acima de 600W) são fisicamente maiores e mais pesados. Um painel de 700W pode facilmente ultrapassar os 2,2 metros de comprimento, o que pode complicar a logística e a instalação em telhados mais pequenos ou de acesso difícil. Verifique sempre as dimensões antes de decidir.
| Fabricante e Modelo | Tecnologia | Potência Nominal | Eficiência | Ideal Para |
|---|---|---|---|---|
| JA Solar JAM72D40 | N-Type TOPCon | 590W - 600W | ~23.2% | Telhados planos e pérgolas (melhor rácio custo/benefício) |
| Trina Solar Vertex N | i-TOPCon N-Type | ~605W | ~22.4% | Zonas com mais nebulosidade (ótima captação de luz difusa) |
| Canadian Solar TOPBiHiKu7 | N-Type TOPCon | 690W - 720W | ~23.3% | Instalações no solo onde o espaço não é um problema |
| LONGi Hi-MO 7 | HPDC (Híbrida) | ~620W | ~22.8% | Regiões mais quentes como o Alentejo e Algarve (menor perda por calor) |
Fazer as Contas: Custo, Amortização e a Burocracia em Portugal
Vamos a números concretos para 2025. Um sistema de autoconsumo com 4 kWp de potência, o que corresponde a cerca de 7 ou 8 painéis modernos, terá um custo de instalação "chave-na-mão" que oscilará entre os 4.200€ e os 5.000€. Este valor já inclui os painéis, inversor, estrutura, instalação por um técnico certificado e o processo de legalização. A partir de 1 de julho de 2025, o IVA sobre estes equipamentos volta aos 23%, um fator a ter em conta no orçamento final.
Com um preço médio da eletricidade a rondar os 0,22€/kWh, um sistema destes, se instalado num local com bom ganho bifacial (como um telhado plano no Algarve), pode gerar perto de 7.000 kWh por ano. Assumindo que consome diretamente 40% desta energia e vende o excedente à rede a um preço simbólico, a poupança anual pode chegar aos 700€. Isto resulta num período de amortização de 6 a 8 anos. Sem o ganho bifacial, este prazo pode estender-se por mais um ano ou ano e meio.
Felizmente, a burocracia para instalações residenciais (até 30 kW) foi simplificada. O processo legal resume-se a uma Mera Comunicação Prévia (MCP) no portal SERUP da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Este registo é obrigatório e deve ser feito pelo instalador antes de o sistema ser ligado. Garante que a sua instalação está em conformidade com as regras da rede elétrica e é um passo fundamental para a sua segurança e para evitar quaisquer problemas legais no futuro.
Veredicto Final: Compensa o Investimento Extra num Painel Bifacial?
Chegamos à questão fundamental: vale a pena pagar um pouco mais por um painel bifacial? A resposta não é um "sim" ou "não" universal, mas sim uma análise honesta do local onde vai instalar.
Se tem um telhado plano, uma pérgola, uma cobertura de garagem ou planeia uma instalação no chão, a resposta é um claro sim. O ganho de produção adicional, que pode variar entre 5% e 15% em condições reais em Portugal, é suficiente para compensar a diferença de preço em poucos anos e acelerar o retorno do seu investimento. Nestes cenários, o painel bifacial é a escolha tecnicamente superior e financeiramente mais astuta a longo prazo.
Por outro lado, se a sua única opção é uma instalação tradicional, com os painéis montados rentes a um telhado inclinado de telha escura, o painel bifacial é um mau investimento. Estará a pagar por um benefício que não obterá. Nesse caso, a sua prioridade deve ser escolher um painel monofacial de alta qualidade e eficiência, da mesma gama tecnológica N-Type. Poupará no investimento inicial e terá um desempenho praticamente idêntico, otimizando o seu retorno financeiro. A tecnologia é fantástica, mas apenas quando aplicada no contexto certo.
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