Painel Bifacial em Portugal: Guia Completo para 2025

Um painel solar que produz energia pela face traseira parece revolucionário, mas na maioria dos telhados inclinados em Portugal, esse ganho extra é quase uma miragem. Perceba quando é que esta tecnologia realmente compensa.

Markus Weber

Markus Weber

Consultor Energético & Especialista Solar Certificado

Markus Weber trabalha como consultor energético e técnico solar desde 2012. Nos últimos 5 anos instalou mais de 50 sistemas solares no Sul da Europa.

Certificado TÜV 5+ Anos Experiência 50+ Instalações

Instalar um painel solar que também capta energia pela parte de trás parece uma ideia infalível para maximizar a produção, mas a realidade nos telhados portugueses é bem diferente. A verdade é que, se o seu plano é montar os painéis rentes às telhas escuras e inclinadas, o famoso "ganho bifacial" prometido pelo marketing pode ser tão baixo que não justifica o custo extra. A eficiência desta tecnologia depende totalmente de um fator que quase ninguém menciona: o que está por baixo do painel.

A promessa de um aumento de produção de 5% a 25% é real, mas apenas em condições muito específicas. Um painel bifacial funciona porque a sua parte traseira, em vez de ser opaca, é de vidro ou de um polímero transparente, permitindo que as células fotovoltaicas absorvam a luz refletida do solo ou da superfície abaixo. É aqui que entra o conceito de albedo – a capacidade de uma superfície refletir a luz solar. Neve fresca tem um albedo altíssimo (mais de 80%), mas uma telha cerâmica escura ou uma tela asfáltica tem um albedo péssimo (menos de 15%). Sem uma boa reflexão, a parte de trás do painel simplesmente não tem luz para converter em eletricidade.

Onde é que o Ganho Bifacial se Transforma em Poupança Real?

Então, quando é que este investimento extra faz sentido? A resposta está na forma e no local da instalação. Para a grande maioria das moradias com telhados de quatro águas e telha tradicional, o painel monofacial de alta eficiência continua a ser a escolha mais inteligente e económica. O espaço entre um painel montado de forma coplanar (rente ao telhado) e a própria telha é mínimo, impedindo que a luz chegue sequer à face traseira. Está a pagar por uma tecnologia que, na prática, não vai utilizar.

O cenário muda completamente em instalações com espaço e superfícies refletoras. Pérgolas, coberturas de estacionamento e varandas são candidatos ideais. Nestes casos, a luz solar passa pelo espaço entre os painéis, reflete no chão (idealmente um pavimento de cor clara) e atinge a face traseira, gerando energia extra. Outro cenário perfeito são os telhados planos, onde os painéis são montados em estruturas inclinadas. Se pintar a superfície do telhado com uma tinta branca refletora, o ganho bifacial pode facilmente superar os 10%, o que já encurta o prazo de amortização do sistema.

As instalações no solo, em jardins ou quintais, são onde o painel bifacial realmente brilha. Com a altura e o ângulo corretos sobre uma superfície como gravilha clara ou até mesmo relva bem cuidada, os ganhos são consistentes e significativos ao longo de todo o ano. É nestas situações que o pequeno prémio de preço do painel bifacial se paga a si mesmo em poucos anos.

Melhores Modelos Bifaciais para 2025: Análise ao Detalhe

O mercado de 2025 será dominado por painéis com tecnologia de células N-Type, principalmente TOPCon e HJT. Para si, isto traduz-se em duas vantagens cruciais: uma degradação anual muito mais baixa (perdem menos eficiência com o tempo) e um melhor comportamento com o calor intenso do verão português. Marcas como a JA Solar e a Trina Solar oferecem um excelente equilíbrio entre preço e desempenho para o setor residencial, enquanto a Canadian Solar aposta em painéis de altíssima potência, mais adequados para quem tem espaço.

É importante ter atenção a um pormenor prático: os painéis mais potentes (acima de 600W) são fisicamente maiores e mais pesados. Um painel de 700W pode facilmente ultrapassar os 2,2 metros de comprimento, o que pode complicar a logística e a instalação em telhados mais pequenos ou de acesso difícil. Verifique sempre as dimensões antes de decidir.

Fabricante e Modelo Tecnologia Potência Nominal Eficiência Ideal Para
JA Solar JAM72D40 N-Type TOPCon 590W - 600W ~23.2% Telhados planos e pérgolas (melhor rácio custo/benefício)
Trina Solar Vertex N i-TOPCon N-Type ~605W ~22.4% Zonas com mais nebulosidade (ótima captação de luz difusa)
Canadian Solar TOPBiHiKu7 N-Type TOPCon 690W - 720W ~23.3% Instalações no solo onde o espaço não é um problema
LONGi Hi-MO 7 HPDC (Híbrida) ~620W ~22.8% Regiões mais quentes como o Alentejo e Algarve (menor perda por calor)

Fazer as Contas: Custo, Amortização e a Burocracia em Portugal

Vamos a números concretos para 2025. Um sistema de autoconsumo com 4 kWp de potência, o que corresponde a cerca de 7 ou 8 painéis modernos, terá um custo de instalação "chave-na-mão" que oscilará entre os 4.200€ e os 5.000€. Este valor já inclui os painéis, inversor, estrutura, instalação por um técnico certificado e o processo de legalização. A partir de 1 de julho de 2025, o IVA sobre estes equipamentos volta aos 23%, um fator a ter em conta no orçamento final.

Com um preço médio da eletricidade a rondar os 0,22€/kWh, um sistema destes, se instalado num local com bom ganho bifacial (como um telhado plano no Algarve), pode gerar perto de 7.000 kWh por ano. Assumindo que consome diretamente 40% desta energia e vende o excedente à rede a um preço simbólico, a poupança anual pode chegar aos 700€. Isto resulta num período de amortização de 6 a 8 anos. Sem o ganho bifacial, este prazo pode estender-se por mais um ano ou ano e meio.

Felizmente, a burocracia para instalações residenciais (até 30 kW) foi simplificada. O processo legal resume-se a uma Mera Comunicação Prévia (MCP) no portal SERUP da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Este registo é obrigatório e deve ser feito pelo instalador antes de o sistema ser ligado. Garante que a sua instalação está em conformidade com as regras da rede elétrica e é um passo fundamental para a sua segurança e para evitar quaisquer problemas legais no futuro.

Veredicto Final: Compensa o Investimento Extra num Painel Bifacial?

Chegamos à questão fundamental: vale a pena pagar um pouco mais por um painel bifacial? A resposta não é um "sim" ou "não" universal, mas sim uma análise honesta do local onde vai instalar.

Se tem um telhado plano, uma pérgola, uma cobertura de garagem ou planeia uma instalação no chão, a resposta é um claro sim. O ganho de produção adicional, que pode variar entre 5% e 15% em condições reais em Portugal, é suficiente para compensar a diferença de preço em poucos anos e acelerar o retorno do seu investimento. Nestes cenários, o painel bifacial é a escolha tecnicamente superior e financeiramente mais astuta a longo prazo.

Por outro lado, se a sua única opção é uma instalação tradicional, com os painéis montados rentes a um telhado inclinado de telha escura, o painel bifacial é um mau investimento. Estará a pagar por um benefício que não obterá. Nesse caso, a sua prioridade deve ser escolher um painel monofacial de alta qualidade e eficiência, da mesma gama tecnológica N-Type. Poupará no investimento inicial e terá um desempenho praticamente idêntico, otimizando o seu retorno financeiro. A tecnologia é fantástica, mas apenas quando aplicada no contexto certo.

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Perguntas Frequentes

O que é um painel bifacial?

Um painel bifacial é um painel fotovoltaico que capta luz solar em ambas as faces (frontal e traseira), utilizando vidro duplo ou material transparente na parte traseira. Isto permite gerar energia a partir da luz direta do sol e também da luz refletida de superfícies como areia, neve, água ou cimento, aumentando a produção de energia em até 30% comparativamente aos painéis monofaciais tradicionais.

Qual é a diferença entre painéis solares e fotovoltaicos?

Painéis solares térmicos captam o calor solar para aquecer água ou espaços, enquanto painéis fotovoltaicos convertem a luz solar em eletricidade. Os fotovoltaicos têm menos manutenção, maior investimento inicial e são ideais para autoconsumo de eletricidade; os térmicos têm custo mais baixo mas requerem maior manutenção do sistema hidráulico.

Quais são os painéis fotovoltaicos mais eficientes?

Os painéis mais eficientes em 2025 utilizam tecnologia N-Type com TOPCon ou HJT (Heterojunção), como o Canadian 610W (22,6%), Sunova 585W (22,4%), Longi Hi-MO X6 (23,2%) e Risen 700W HJT Bifacial (23%). Os painéis bifaciais N-Type atingem eficiências entre 20% e 28%, com potências até 700W.

Quantos kWh produz um painel solar de 550W?

Um painel solar de 550W produz aproximadamente 82,5 kWh por mês em condições ideais com 5 horas de insolação diária, ou cerca de 2,17 kWh/dia considerando perdas do sistema. A produção varia conforme irradiação solar da região e condições climáticas.

Quanto custa instalar um painel solar em Portugal?

A instalação de painéis solares em Portugal custa entre 3.500€ e 13.900€ para sistemas residenciais, dependendo da potência. Para sistemas pequenos (1,5 kWp com 4 painéis): 2.000-3.000€; para 3 kWp (8 painéis): 4.000-6.000€; para 5 kWp (12 painéis): 7.000-9.000€. Estes valores incluem equipamento, inversor, estrutura e instalação.

Quantas placas solares são necessárias para gerar 1000 kWh?

Para gerar 1000 kWh mensalmente, são necessárias aproximadamente 16-17 placas solares de 550W, considerando uma irradiação média de 5 kWh/m²/dia. O número exato varia consoante a região (em áreas com maior irradiação solar podem ser necessárias apenas 14-15 placas).

Qual é o IVA dos painéis fotovoltaicos?

Atualmente em Portugal, o IVA dos painéis fotovoltaicos é de 23%. Anteriormente (2022-junho 2025) beneficiavam de uma taxa reduzida de 6%, que terminou a 1 de julho de 2025, embora haja petições para a sua reposição permanente.

Como não pagar IVA?

Não existe atualmente isenção de IVA em Portugal para painéis solares residenciais. Contudo, podem beneficiar de isenção do IRS e deduções até 30% das despesas com instalação os agregados com produção de energia inferior a 1MW cuja receita da venda de excedente não ultrapasse 1.000€/ano.

Quanto paga a EDP por energia fotovoltaica?

A EDP compra o excedente solar a um preço inferior ao de consumo, geralmente 10-30% menos. Em 2024, oferecia um retorno de apenas 31€/ano para 900 kWh injetados na rede ou 104€ para 3000 kWh (com 12 painéis), tornando o armazenamento em baterias mais vantajoso que a venda de excedente.

Painel bifacial comparação Portugal

Os painéis bifaciais custam 10-20% mais que os monofaciais, mas geram até 30% mais energia nas mesmas condições, resultando em ROI mais rápido. Têm 30 anos de garantia vs 25 anos dos monofaciais, maior durabilidade com vidro duplo, melhor desempenho em luz difusa e são ideais para Portugal em superfícies refletoras (cimento, água).

Qual é a amortização de um painel bifacial?

Em Portugal, a amortização de painéis bifaciais ocorre tipicamente entre 5-10 anos, considerando poupança na fatura de eletricidade (≈700€/ano para sistema de 5kWp). A amortização fiscal para equipamentos de energia solar segue uma taxa de 25% ao ano (período mínimo de 4 anos segundo legislação portuguesa).

Requisitos legais DGEG para instalação

Para instalações até 350W não é necessário licenciamento. Entre 350W-30kW é preciso comunicação prévia na DGEG. Acima de 30kW é exigido registo prévio e certificado de exploração. Todas as instalações acima de 200W devem registar-se na DGEG e ser feitas por instalador certificado.

Locais ideais para montagem de painéis bifaciais

Painéis bifaciais funcionam melhor em telhados com material refletor (telhas claras), próximos de superfícies como água, areia ou cimento branco, pérgolas com solo refletor, e estruturas de solo com distância mínima de 1 metro. Funcionam bem em varandas e paredes, mas telhados inclinados voltados para sul são ideais.

Subsídios e apoios em Portugal 2025

O Fundo Ambiental oferece o Programa Vale Eficiência (1.300€ para tarifa social), apoio a Comunidades de Energia Renovável (até 200.000€), e o Programa de Edifícios Mais Sustentáveis (até 2.500€ para painéis com limite máximo de 7.500€ por fração, 70% de comparticipação). Existe também dedução de 30% no IRS para produção até 1MW com receita inferior a 1.000€/ano.