A resposta curta (julho 2026): Em Portugal continental, a orientação sul é a âncora de rendimento anual do kit de varanda: com 800 Wp em Lisboa aberta, a ordem de grandeza da rede é ~1.222 kWh/ano (PVGIS, perdas ~5%). Este/oeste ficam tipicamente a ~85–95% desse total; norte a ~50–70%. Esta página explica por que o sul maximiza kWh e quando a sombra ou a inclinação vertical o «roubam» — não o trade-off de autoconsumo manhã/tarde (isso está em orientação este-oeste). Exposição: exposição varanda; produção por cidade: produção estimada; geo sul do país: zona sul Portugal.
- Sul = 100% ref. no mapa de azimutes PT continental.
- 800 Wp Lisboa: ~1.222 kWh/ano se horizonte limpo.
- Risco real: sombra de prédio > «má orientação» no Excel.
- Legal: azimute não muda isenção 700/800 W zero export (DL 130/2026).
28.08.2026: limiar 800 W zero export — a orientação sul não altera o papel DGEG.
«quando coloquei os 2 painéis a ideia era manter o consumo stand-by da casa, frigorífico, wi-fi, devices IOT etc, neste momento mesmo trabalhando em casa durante umas horas de pico num dia de sol ainda consigo cobrir o consumo a 100% dos painéis»
A citação não prova «qualquer orientação serve»: prova que sol real + cargas diurnas batem o marketing. Em sul pleno, o pico de meio-dia é o mais alto do ano — use-o (máquina, termo, teletrabalho) ou desperdice-o em export barato.
Por que o sul vence em kWh anuais (Portugal)
O sol descreve um arco a sul no hemisfério norte. Em latitude portuguesa (~37–42°N), a face sul recebe o ângulo mais favorável ao longo do ano. O PVGIS e as tabelas da rede usam sul como referência 100%; as outras faces são percentagens dessa âncora. Não é opinião de loja — é geometria solar.
| Azimute varanda | kWh relativo | ~800 Wp Lisboa (ordem) | Quando «ganha» |
|---|---|---|---|
| Sul (S / SSE / SSW) | 100% | ~1.222 kWh/ano | Máximo anual; casa com cargas 11–16h |
| Oeste / sudoeste | ~85–95% | ~1.050–1.160 | Tarde + AC; ver este-oeste |
| Este / sueste | ~80–90% | ~1.000–1.100 | Manhã + máquina cedo |
| Norte | ~50–70% | ~700–900 | Só teste / 1 módulo |
Faixas para inclinações baixas de varanda (10–25°), horizonte limpo. Sombra de obstáculo à parte: sombreamento. Método kWh: rendimento.
Sul «no papel» vs sul na grade do prédio
Três eixos que as FAQs misturam — separe-os antes de culpar o azimute:
- Azimute (esta página): sul maximiza o potencial anual.
- Inclinação: grade a ~90° perde face a 25–35° de telhado; a perda é comum a todas as faces.
- Sombra: prédio vizinho às 14–16h pode matar o melhor sul do mapa. Teste 3 dias secos.
Se a bússola diz sul mas às 15h a grade está na sombra do bloco da frente, o Excel com 1.222 kWh mente. Corrija com sombreamento e, se só um módulo apanha sol, micro com MPPT separado: microinversor.
| Cenário | O que esperar | Ação |
|---|---|---|
| Sul aberto 15–25° | Perto da ref. PVGIS | Kit 2×400 / 800 W full |
| Sul vertical grade | Menos que telhado 30° | Aceitar; não culpar só o azimute |
| Sul + sombra 14–17h | Pode cair 20–40% | 1 módulo teste; ver sombra |
| Sudoeste limpo | ~90–98% do sul | Tratar como «quase sul» |
Sul e euros: máximo kWh não é máximo € se a casa está vazia
O sul empurra o pico para o meio-dia. Se ninguém está em casa e não desloca cargas, muitos kWh vão para export a ~0,034–0,07 €/kWh — cerca de 7× menos valor que o kWh de compra evitado (~0,17–0,24 €/kWh). Por isso:
- Sul + teletrabalho / cargas 11–16h: melhor casamento kWh×€.
- Sul + casa vazia: ainda máximo anual, mas ROI piora se não programar máquina/termo.
- Oeste ocupado à tarde: pode bater sul vazio em € na fatura — é o caso da página este-oeste, não o desta.
Poupança ref. 55% autoconsumo em Lisboa ~800 Wp: ordem ~160 €/ano a ~0,24 €/kWh. Detalhe de preço da energia: custo kWh; payback em anos: tempo de recuperação.
Enquadramento legal 2026 (independente do azimute)
Isenção de controlo prévio: inversor ≤700 W sem injeção até 27.08.2026; ≤800 W sem injeção desde 28.08.2026 (DL 130/2026, DR 29.06.2026). IVA 23% no kit (a taxa de 6% terminou em 2025). Sul, este ou norte não alteram o limiar — só a potência AC do micro e o regime de export. Procedimento: registo DGEG; microprodução: microprodução residencial; condomínio: condomínio.
Checklist: a minha varanda é sul útil?
- Bússola + mapa: face entre SE e SW?
- Sol na grade às 12h em dia limpo de julho?
- Sombra de prédio/árvore entre 14h e 17h?
- Inclinação real (vertical vs 15–25°)?
- PVGIS com azimute e inclinação da varanda — não o default de telhado.
- Cargas diurnas que possam «comer» o pico de meio-dia?
- Micro ≤800 W com zero export se quiser isenção: kit 800 W.
- Simulador morada: calculadora.
Elena Moretti, Redação técnica: Esta página é a âncora de rendimento sul. Não duplica o trade-off manhã/tarde de este-oeste nem o mapa Algarve de zona sul. Se a bússola diz sul e a sombra diz não, a página de sombreamento manda mais que qualquer tabela de azimute. Guia kit: guia varanda.
DL 130/2026 e a varanda a sul
Quem tem sul limpo e kit 800 W costuma querer isenção. Confirme: potência AC do micro ≤ limiar, zero export documentado, sem injeção na RESP. Até 27.08.2026 o teto de isenção sem injeção é 700 W; desde 28.08.2026 sobe a 800 W (DL 130/2026). O sol a sul não substitui a configuração do inversor.
Procedimento: DGEG. Plug-and-play: plug-and-play. Micro: microinversor.
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