~1.316 kWh/ano em Faro, ~1.222 em Lisboa, ~1.153 no Porto com 800 Wp a sul: é a ordem de yield que a rede usa em 2026 (PVGIS, perdas típicas, tilt favorável) — não o GHI cru nem o postal do Algarve. O Sul rende ~14% mais que o Porto no mesmo hardware; a varanda a 90° com sombra de prédio fica bem abaixo do mapa. Cada kWh autoconsumido evita ~0,17–0,24 € na fatura (quadro ERSE / Diretiva n.º 1/2026).
- GHI: sol bruto no chão horizontal (kWh/m²).
- kWh/kWp: eletricidade AC por kW instalado (já com perdas).
- kWh do kit: kWh/kWp × kWp × fatores locais (sombra, tilt, azimute).
- Rejeitar: ~2.000 kWh/kWp fixo em Portugal continental.
Tabela nacional (800 Wp, sul, referência de rede)
| Cidade | kWh/ano @800 Wp | kWh/kWp | Nota |
|---|---|---|---|
| Faro | ~1.316 | ~1.645 | Melhor recurso continental típico |
| Lisboa | ~1.222 | ~1.528 | Âncora da rede PT |
| Porto | ~1.153 | ~1.441 | Norte litoral |
| Braga | ~1.108 | ~1.385 | Família Norte (ordem) |
Ordens PVGIS/rede mid-2026 com sul e tilt favorável. PVGIS aplica por defeito ~14% de perdas de sistema e não inclui sujidade (~2–5% extra se quiser realismo). Apartamento com sombra/90° fica abaixo — cenários de campo ~400–800 kWh/ano em varanda real vs ~1.200 de céu aberto.
Checklist: cidade ref., bússola, tilt, fotos 11h/14h/17h, fator sombra 0,5–0,8, kWh × 0,17–0,24 € × % AC.
Insolação, GHI e kWh/kWp (não são a mesma coisa)
GHI mede energia no plano horizontal (kWh/m²/ano): o sol bruto disponível antes de qualquer conversão. kWh/kWp mede eletricidade AC por kW instalado: já inclui tecnologia do módulo, inclinação, temperatura, inversor e cabos. O mapa de insolção sem conversão para kWh do seu kit é só o primeiro passo. Global Solar Atlas e PVGIS são ferramentas complementares; ambos assumem horizonte limpo se não modelar obstáculos urbanos.
Tilt ótimo anual em Portugal continental anda ~33° no Sul (Faro) a ~37–38° no Norte (Porto/Braga); Lisboa ~34°. Grade a 90° corta produção anual face a esse ótimo — literatura de plug-in europeu aponta perdas de dezenas de percentagem; na prática portuguesa use o teste de sol local em vez de um único coeficiente. Sombra de prédio no inverno não está no mapa nacional de cidade.
O Joint Research Centre (Comissão Europeia) documenta o PVGIS com perdas de sistema por defeito e sem soiling automático. Quando a rede cita 1.222 kWh/ano em Lisboa a 800 Wp, fala de referência sul aberto — não de garantia de fatura. Ajuste: (1) fator de orientação se não for sul; (2) tilt vertical; (3) sombra medida; (4) % autoconsumo × tarifa evitada na fatura sob quadro ERSE.
Do mapa ao euro da fatura
Exemplo de ordem Lisboa: 1.222 kWh/ano × 60% autoconsumo = ~733 kWh × 0,20 €/kWh ≈ 147 €/ano evitados. Com 30% de perda por sombra/tilt (varanda real), caem ~44 €/ano. A tarifa de compra na fatura residencial mid-2026 anda ~0,17–0,24 €/kWh (componentes regulados sob ERSE / Diretiva n.º 1/2026); export tipicamente ~0,034–0,07 €/kWh — o mapa serve para estimar kWh, não para vender sol à rede.
Pack de retalho 580–900 € (IVA 23%; a taxa de 6% terminou a 30.06.2025) com 1.222 kWh teóricos não fecha o Excel se a sombra cortar metade da produção. Por isso a insolção anual e a exposição local são páginas irmãs: exposição solar varanda, rendimento do painel, zoom zona sul e zona norte.
Nota da editora (Elena Moretti):
O erro caro é copiar 1.222 kWh de Lisboa para uma varanda a oeste com prédio em frente às 15h. O mapa nacional escolhe a cidade; o teste de 3 dias escolhe se o kit vale a pena. Sem o segundo, o primeiro é só geografia.
DIFF: mapa nacional ≠ zona ≠ orientação
| Página | Pergunta que responde |
|---|---|
| Esta (insolação anual) | Quanto sol tem o país / cidade de referência? |
| Zona sul / norte | Zoom regional e ROI local |
| Orientação E–O | Azimute da sua parede |
| Exposição varanda | Sombra, peitoril, teste 3 dias |
Não misture as quatro num único parágrafo: cria clones e decisões más. Ordem correcta: cidade da tabela → azimute → teste de sol → euros na fatura.
Valores a rejeitar e discordâncias
Marketing a ~1.600 kWh/ano com 800 Wp fixo (~2.000 kWh/kWp) está acima do teto físico razoável do continente — o Global Solar Atlas em sítio ótimo em Lisboa anda na ordem de ~1.620 kWh/kWp teóricos, não 2.000 em peitoril. Céu aberto Faro ~1.300+ e apartamento ~900–1.100 podem coexistir: um é tilt ótimo sem horizonte; o outro já mete arquitetura. Norte vs sul na tabela de referência: ~14% a favor do Algarve, não 50% de flyer.
Inverno e verão no mesmo código postal somam o yield anual. Sol baixo alonga sombras; sol alto favorece o mapa mas toldo e peitoril ainda comem kWh. Não dimensione o pack só com o pico de julho nem desista só com o vale de janeiro. Se o teste fotográfico for só de estio, marque um dia de dezembro antes de confiar no 1.222 kWh de Lisboa.
Como o PVGIS entra (e sai) do Excel
Quatro passos depois da tabela: (1) fator de orientação se a parede não for sul (oeste/este perdem tipicamente ~15–22% face a sul em ordens de azimute); (2) desconto de tilt vertical vs ~34°; (3) fator de sombra do teste de 3 dias (0,5–0,8 é comum em cidade); (4) % autoconsumo diurno × 0,17–0,24 €/kWh. Só no fim compare com CAPEX do pack (IVA 23%). Sem (3) e (4), o mapa é geografia, não decisão de compra.
Azimute oeste melhora a tarde (teletrabalho) mas perde no total anual face a sul; este favorece a manhã. A bússola do telemóvel e o teste de exposição escolhem a parede — o mapa de cidade não. Orientação detalhada: este–oeste.
Checklist além do mapa
- Cidade de referência na tabela (Faro/Lisboa/Porto) — só ponto de partida.
- Azimute real da grade (bússola) e tilt (90° vs suporte).
- Teste de 3 dias de sol (11h/14h/17h) e um dia de inverno se o teste for em julho.
- Consumo diurno: se não há cargas de dia, o yield alto não vira euros.
- Multiplique o yield de mapa por fator de sombra/tilt honesto (0,5–0,8 é comum em cidade).
- Converta kWh × 0,17–0,24 € × % autoconsumo — esse é o ROI, não o GHI.
A insolção anual em Portugal é generosa de norte a sul; a varanda é que filtra o mapa. Use a tabela nacional para calibrar expectativas regionais e o teste local para decidir a compra. Sem os seis pontos acima, 1.222 kWh são só um número bonito no ecrã.
Inverno, verão e o mesmo código postal (detalhe)
O yield anual é a soma de doze meses muito diferentes. Em dezembro o sol baixo alonga a sombra do prédio vizinho e pode matar a janela 14h–16h mesmo com azimute sul. Em julho o sol alto favorece o mapa PVGIS, mas o toldo aberto e o peitoril continuam a comer a fila inferior do módulo. Por isso a tabela Faro/Lisboa/Porto é anual — não use o pico de julho para dimensionar o pack e o vale de janeiro para desistir do investimento.
Se o teste fotográfico for só de estio, marque no calendário um dia de dezembro ou janeiro antes de confiar no 1.222 kWh de Lisboa. Azimute oeste melhora a tarde (bom para teletrabalho) mas perde face a sul no total anual; este favorece a manhã e o frigorífico. O mapa nacional não escolhe a sua parede: a bússola e o teste de exposição sim. Em julho de 2026 o IVA de kits é 23%; o sol não muda com o imposto, o payback sim quando o CAPEX sobe face a pricelists antigas a 6%.
Para fechar o Excel de compra: pegue o yield de cidade, multiplique por 0,6–0,8 se a varanda for urbana com sombra parcial, multiplique por 0,55–0,65 de autoconsumo diurno típico, multiplique por 0,20 €/kWh de tarifa evitada ordem, e compare com 580–900 € de pack. Se o resultado anual for <100 € e o sol real for fraco no teste, o mapa não salva o kit. Se for >150 € com sol pleno 4h+, o mapa e o peitoril alinham.
Seis linhas antes de comprar
(1) Yield de cidade da tabela. (2) Azimute real. (3) Tilt real. (4) Fator sombra do teste. (5) % autoconsumo diurno. (6) Tarifa evitada da fatura. Sem (4) e (5), o mapa é só geografia. Com os seis, a insolação anual vira decisão de CAPEX.
Repita um dia no inverno se o teste for de verão.
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