Instalar um ou dois painéis solares em casa, com uma potência total até 700W, deixou de exigir qualquer registo ou comunicação prévia à DGEG. Esta é, talvez, a mudança mais impactante para quem quer começar a poupar na eletricidade sem grandes dores de cabeça burocráticas. O Decreto-Lei 162/2019, que regula as Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), abriu a porta a uma democratização da energia solar, mas navegar nas suas regras, especialmente com as atualizações para 2025, continua a levantar muitas dúvidas. A questão já não é se compensa, mas como fazer para compensar mais depressa.
O que mudou (realmente) com o autoconsumo?
A grande filosofia por trás da legislação foi simplificar. Acabou-se a ideia de que para ter painéis solares era preciso um processo de licenciamento complexo e demorado. O conceito central é a UPAC (Unidade de Produção para Autoconsumo). Basicamente, a sua casa passa a ser uma microcentral elétrica, e a lei define regras diferentes consoante a sua dimensão. Se o seu objetivo é apenas abater os consumos de fundo de casa – o frigorífico, a arca, os aparelhos em stand-by – um sistema pequeno, sem injeção na rede, é a porta de entrada mais simples. Pode começar com um kit de 350W, que a lei permite que seja instalado por si, sem necessidade de um técnico certificado.
O salto qualitativo acontece quando se quer mais potência. Para sistemas entre 700W e 30kW, a burocracia ainda é bastante leve. Exige-se apenas uma Mera Comunicação Prévia (MCP) no portal da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia). Não é uma licença, é um aviso. Informa as autoridades que vai instalar o sistema, e um técnico credenciado tem de assinar um termo de responsabilidade. É um processo que demora dias, não meses. A verdadeira complexidade só surge para potências acima de 30kW, um cenário mais industrial do que residencial.
Quanto custa e em quanto tempo se paga um sistema em 2025?
Vamos a contas para uma moradia portuguesa típica. Em 2025, um sistema fotovoltaico com cerca de 3.6 kWp de potência (normalmente 8 painéis de 450 W) custa, já instalado, entre 3.800€ e 4.500€. Este valor já inclui os painéis, o inversor, a estrutura e a mão de obra. A produção anual de um sistema destes varia muito com a localização: pode esperar cerca de 5.000 kWh/ano no Porto e até 5.500 kWh/ano ou mais no Algarve.
Com o preço médio da eletricidade a rondar os 0,18€ a 0,20€ por kWh, a poupança anual pode chegar aos 650€ a 850€. Este cálculo assume que consome diretamente cerca de 40% a 50% da energia que produz, o que é uma estimativa realista para uma família sem baterias, que consome mais energia ao final do dia. Nestas condições, o retorno do investimento (o famoso ROI) situa-se entre os 5 e os 7 anos. A partir daí, é lucro puro.
E as baterias? A conversa muda. Adicionar um sistema de armazenamento para guardar a energia produzida durante o dia e usá-la à noite pode quase duplicar o investimento inicial, atirando o custo total para a casa dos 8.000€ a 10.000€. Embora aumente a sua taxa de autoconsumo para uns impressionantes 80-90%, o tempo de retorno dispara para 8 a 10 anos. A decisão aqui é mais ideológica do que puramente financeira: quer maximizar a poupança a curto prazo ou quer a máxima independência da rede?
Que painéis escolher? Os campeões de 2025 não são os que julga
A tecnologia dos painéis solares evoluiu brutalmente. Esqueça os velhos painéis que perdiam eficiência com o calor. Em 2025, o mercado é dominado pelas tecnologias N-Type (como TOPCon) e Back Contact (BC). A grande vantagem? Têm uma degradação anual muito menor (cerca de 0,4%) e, crucialmente, comportam-se muito melhor em dias nublados ou com temperaturas elevadas, uma realidade do nosso clima. Isto significa que produzem mais energia de manhã cedo, ao fim da tarde e no pico do verão – precisamente quando mais precisa dela.
Escolher o modelo certo depende do seu telhado e do seu orçamento. Um painel mais eficiente não é necessariamente melhor se tiver espaço de sobra. A eficiência é fundamental para quem tem um telhado pequeno e quer maximizar a produção por metro quadrado.
| Modelo | Tecnologia | Potência | Eficiência | Preço Unitário Estimado* | Perfil Ideal |
|---|---|---|---|---|---|
| SunPower Maxeon 7 | IBC (Back Contact) | 445 W | 24,1% | 380€ - 420€ | Premium / Espaço Reduzido. A melhor eficiência e durabilidade (40 anos de garantia!). Ideal para telhados pequenos ou zonas costeiras pela sua resistência ao sal. O preço é o seu maior entrave. |
| Longi Hi-MO X6 | HPBC (Back Contact) | 450 W | 23,2% | 180€ - 220€ | Melhor Custo-Benefício. Oferece tecnologia de ponta a um preço muito competitivo. A sua estética "all-black" torna-o perfeito para zonas urbanas onde a aparência conta. |
| Jinko Tiger Neo N-Type | N-Type TOPCon | 440 W - 450 W | 22,5% | 140€ - 160€ | Orçamento / Alta Performance. O "cavalo de batalha" do mercado. Desempenho excelente com luz difusa e em dias quentes. A escolha mais racional para a maioria das instalações residenciais. |
*Nota: Preços estimados para o consumidor final (apenas o módulo, com IVA) em novembro de 2025.
A nossa recomendação para a maioria das casas portuguesas em 2025 recai sobre o Jinko Tiger Neo N-Type ou o Longi Hi-MO X6. Oferecem a tecnologia mais recente a um custo que permite atingir aquele retorno de 5 a 6 anos. O SunPower Maxeon é tecnicamente superior, mas o seu preço torna-o uma escolha de nicho para quem tem restrições de espaço muito específicas.
A burocracia passo a passo: do 'faça você mesmo' ao registo obrigatório
Vamos simplificar a jornada legal. Existem três patamares principais para instalações residenciais.
1. Potência até 700W (sem injeção na rede): Este é o paraíso da simplicidade. Compra o kit, instala e começa a poupar. Não precisa de comunicar a ninguém, não precisa de técnico certificado para assinar nada (embora seja sempre recomendável se não tiver experiência). A única regra de ouro é garantir que o sistema não injeta eletricidade na rede pública.
2. Potência de 700W a 30kW: Este é o cenário mais comum para uma moradia. O processo é a já referida Mera Comunicação Prévia (MCP) no portal SERUP da DGEG. O seu instalador certificado trata disto. É um formulário online onde se submetem os detalhes técnicos da instalação. Não há uma "aprovação" a aguardar. Comunica-se e, desde que tudo esteja em conformidade, pode avançar. Se pretender vender o excedente, o registo é sempre obrigatório, independentemente da potência, e implicará a instalação de um contador bidirecional pela E-Redes.
Contudo, não se iluda com a venda de excedentes. Os valores pagos pelos comercializadores pela energia que injeta na rede são, na maioria dos casos, irrisórios, situando-se entre os 0,04€ e 0,06€ por kWh. É muito mais rentável consumir a sua própria energia (evitando comprar a 0,18€) do que vendê-la. É por isso que muitos optam por sistemas de "injeção zero" ou investem em baterias.
Porto vs. Algarve: Onde vive faz toda a diferença
A lei é nacional, mas a sua aplicação e os incentivos podem ter um sabor local. As câmaras municipais têm uma palavra a dizer, especialmente em zonas protegidas ou históricas.
No Porto, por exemplo, a autarquia tem sido bastante proativa. Existe um benefício fiscal que pode garantir um desconto significativo no IMI durante 3 anos para quem instala uma UPAC. No entanto, se viver no Centro Histórico, prepare-se para regras mais apertadas. A instalação é permitida, mas exige parecer da Direção Regional de Cultura e, muitas vezes, a utilização de painéis totalmente pretos ("all-black") ou até telhas solares, para não chocar com a estética da zona.
Já no Algarve, a preocupação é outra. Numa região com forte pendor turístico, a estética é levada muito a sério. Em municípios como Loulé ou Tavira, é comum a exigência de que os painéis não sejam visíveis da via pública em núcleos mais antigos. Se tiver um telhado plano (uma açoteia), a regra geral é que a estrutura dos painéis não ultrapasse a altura da platibanda (o murete de proteção). A instalação em solo, mesmo que na sua propriedade, pode exigir pareceres adicionais se estiver em zonas de Reserva Agrícola ou Ecológica Nacional.
O conselho é claro: antes de comprar qualquer equipamento, faça uma consulta prévia junto dos serviços de urbanismo da sua câmara municipal. Uma chamada pode poupar-lhe muitas dores de cabeça e dinheiro.
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